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Quando o LinkedIn é mais eficiente que um currículo

Os curriculum vitae tradicionais continuam sendo importantes canais para empresas encontrarem profissionais com um perfil que se enquadre à organização. Mas, ao mesmo tempo, as ferramentas sociais têm se firmado como importantes canais para a busca de talentos no mercado de trabalho.

Em um bate-papo com o diretor do laboratório de pesquisas da IBM no Brasil, Ulisses Mello, ele confessou que gasta muito mais tempo do imaginava no LinkedIn olhando o perfil de possíveis candidatos. Ele foi um dos convidados para o Brasil Summit 2013, evento realizado no mês passado em São Francisco (EUA) pela Apex-Brasil.

Um centro de P&D como os administrados pela IBM chega a receber cerca de 100 a 200 currículos por mês somente no Brasil. O executivo avalia que as informações contidas nos materiais preparados pelos candidatos costumam ser muito direcionadas para as posições em questão. No LinkedIn, no entanto, nem sempre é possível fazer o mesmo, permitindo acessar informações que foram omitidas ? seja porque o candidato achou que não eram relevantes, ou até pontos que talvez tenham sido exagerados.

As mídias sociais vieram para formalizar algo que existe há tempos na busca por cientistas de pesquisa tecnológica industrial: olhar a formação de uma pessoa sob o aspecto da área e também a quem ela está associada. ?Toda escola tem um professor que é um ?papa? em determinado assunto, e sempre há os alunos que seguem aquele professor. Hoje existe uma árvore dessas pessoas na rede, e essas ferramentas permitem descobrir essas ligações e saber se determinado perfil é mais próximo da filosofia da empresa?, defende.

Às vezes, os próprios gestores notam que uma pessoa acessou o seu perfil mais de uma vez, o que indica que ela está curiosa sobre a organização. ?Nosso objetivo é formar uma equipe que tenha uns 20 atributos profissionais. Em uma equipe, você não precisa ter todo mundo igual em todas as coisas, mas se você tiver um profissional com esse atributo e outro com características diferentes, a equipe fica forte e o LinkedIn é uma ferramenta que permite ver isso, pois as pessoas estão colocando dados voluntariamente?.

Nesses casos, antes de encaminhar o perfil de um candidato à equipe de recrutamento da empresa, ele revela que analisa praticamente todas as informações disponibilizadas na rede. ?O recrutamento de cientista é bem particular, pois não se trata de quantidade, mas sim de qualidade. Às vezes, temos duas pessoas com o mesmo número de publicações e patentes na área de tecnologia, mas ao olhar suas conexões, com quem trabalhou e que tipo de projeto participou, dá pra tirar uma ideia boa da qualidade do profissional?.

Cuide de seu perfil

A gerente da prática de TI, engenharia e supply chain da empresa de recrutamento Hays, Caroline Cadorin, considera que as novas ferramentas de mídias sociais não substituem a boa e velha entrevista de emprego. Sites como LinkedIn, contudo, servem como uma porta de acesso para oportunidades. Como diferencial, ela destaca que as mídias sociais oferecem informações mais atualizadas do que o banco de dados da empresa sobre cargos e atividades recentes.

A Hays realiza diversas abordagens de profissionais da área de TI pelo LinkedIn, além de receber recomendações de executivos sobre perfis que podem ser interessantes e por isso devem ser analisados. Assim, é importante que um profissional que esteja interessado em novas oportunidades tenha seu perfil atualizado e aderente com seus objetivos de carreira. ?E isso tem que estar aparente?, ela completa.
O diretor do laboratório de pesquisas da IBM no Brasil realça a diferença de perfis para a pesquisa industrial daqueles voltados à pesquisa acadêmica. Na primeira, o especialista é medido essencialmente pela qualidade e impacto de seus artigos; enquanto na última, pelo desenvolvimento de propriedade intelectual, capacidade de trabalhar em equipe e de desenvolver projetos com inovação na parte de produto. ?Às vezes, a pessoa pode ser muito qualificada, mas não vai se enquadrar bem dentro da pesquisa industrial.?

A falta de informações claras e objetivas muitas vezes impedem o aproveitamento de perfis pelos recrutadores. Especificar empresas em que já atuou, inserir uma descrição resumida das funções as quais já exerceu e, por fim, ressaltar conhecimentos específicos pode ajudar a ter seu perfil encontrado nas buscas. Gerenciar bem as recomendações é outro ponto fundamental ? ?naturalmente fazemos um trabalho de coletar as referências de pessoas relevantes, de seus superiores, e alguém que recomenda o perfil em questão?, afirma Caroline.

Para profissionais voltados para áreas mais técnicas, vale a pena colocar certificações, área de maior atuação, além de evidenciar nomenclaturas específicas de tecnologias que o profissional considera mais importante e para as quais há uma maior demanda no mercado. Ao especificar projetos, fornecer informações sobre qual foi o papel desempenhado, tecnologias envolvidas, bem como as responsabilidades desempenhadas podem dar mais veracidade às informações. Por exemplo, ao mencionar que foi gerente de projetos de uma implementação de ERP, é importante fornecer informações sobre qual foi a participação, se foi responsável por controlar o budget, entre outros detalhes.

Claro que o perfil do LinkedIn é apenas o primeiro passo ? depois dele haverá muitas etapas e processos seletivos. Porém, é importante não desprezá-lo. ?Muitas pessoas e empresas vão te conhecer primeiramente por ali, para depois te dar uma oportunidade?, resume Caroline.

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