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Qualcomm e Claro fazem piloto de LTE Broadcast no campeonato de tênis Rio Open

A Qualcomm e a Claro conduziram hoje (19/2) um projeto-piloto para transmissão experimental de partidas do campeonato de tênis Rio Open usando tecnologia LTE Broadcast. Esse é o primeiro ensaio das empresas na América do Sul para transmissão de vídeo ao vivo em alta definição para diversos dispositivos a partir de uma mesma célula de rede móvel.
O LTE Broadcast garante a transmissão de vídeos em alta qualidade e com estabilidade para uma quantidade infinita de dispositivos móveis. Nos testes realizados pelo IT Forum 365 durante uma das partidas, usando um Samsung Galaxy S6 Edge equipado com chip Snapdragon da Qualcomm, conexão da Claro e um aplicativo de celular desenvolvido pela Movile, foi possível assistir aos jogos com qualidade e sem queda de sinal, a partir de quatro câmeras principais e outras três secundárias instaladas na quadra.
Marcos Carvalho, diretor de marketing da NET, explica que o uso da tecnologia em grandes eventos faz todo o sentido, uma vez que, geralmente, usa-se o endereçamento unicast nas transmissões. “O unicast é perfeito para conteúdo não simultâneos e para uma pequena quantidade de pessoas. O LTE Brodcast entrega vídeo de forma massiva, para uma quantidade grande de usuários”, explicou o executivo em coletiva de imprensa.
O diretor de marketing para dispositivos móveis da América Móvel Brasil, Rodrigo Vidigal, citou estudo da Ericsson, parceira da iniciativa, para ilustrar o crescimento expressivo do uso de smartphones para acesso a vídeos. Se a previsão estiver correta, o modelo atual de transmissão não será suficiente para comportar a nova massa.
“O vídeo, hoje, consome 50% do tráfego de dados e em 2021 o número saltará para 70%. A migração do unicats, que envia conteúdos de forma individual, para o broadcast, por meio do 4G Max, oferece conteúdo de forma simultânea a um custo menor para a estrutura de rede e com mais qualidade para o usuário”, detalha.
O LTE Broadcast, explica Vidigal, também possibilita o uso de recursos adicionais como chat entre torcedores, interação em redes sociais e acesso a conteúdo exclusivo, possibilitando, prossegue, uma experiência rica para consumir conteúdo e aproveitar eventos de forma interativa.
Roberto Medeiros, diretor sênior de desenvolvimento de produtos da Qualcomm Brasil, relata que tudo isso é possível em razão da tecnologia da Qualcomm, o chip Snapdragon, instalada nos aparelhos. O semicondutor, no entanto, embora pronto para o mercado, não está instalado em nenhum smartphone atualmente.
Contudo, afirma Matheus Regiani, diretor de produtos da Samsung, a preparação de aparelhos para suportar o LTE Broadcast não é complexa, sendo necessária uma simples atualização de software. Na visão da Claro, a adoção nos smartphones possivelmente terá caminho similar ao do 4G, que consumiu dois anos.
Vidigal pontua que a intenção do teste no momento é mostrar às fabricantes de smartphones o poder da tecnologia, que pode não somente ser aplicada a grandes eventos esportivos, como também em caso de emergências, como enchentes. “É algo experimental. Para que a tecnologia escale e tenha um modelo de negócios, é preciso que toda a cadeia de valor esteja pronta para ela”, completa Carvalho, lembrando que a Claro tem feito esse movimento há anos.
Como exemplo, ele citou o lançamento do HD há cinco anos e que hoje está presente em 70% dos seus clientes. “Não sabemos o futuro, mas existe um caminho. Faz sentido e é a forma mais eficiente para transmitir vídeos por dispositivos móveis.”
Modelo comercial
Medeiros, da Qualcomm, lembra que, assim como qualquer nova tecnologia, o LTE Broadcast continuará seguindo sua trilha de evolução, por isso a fase de testes. Por enquanto, diz, a Coreia é o único lugar que conta com o LTE Broadcast no modelo comercial apenas em grandes eventos esportivos a partir da operadora KT. O projeto contou com o suporte da Qualcomm.
Segundo ele, o desafio para a tecnologia ganhar impulso no Brasil será definir um modelo de negócios na cadeia de valor. “Por enquanto, não é tarefa fácil. Mas esse teste foi um grande passo, porque envolveu parceiros e uma grande operadora. Conseguimos quebrar a inércia”, comemora o executivo da Qualcomm. Ele acredita, no entanto, que a adoção e a evolução do modelo acontecerão na esteira da mobilidade e a partir da utilização crescente de mais de uma tela para consumir conteúdo.
A expectativa do executivo é de que outros testes aconteçam, incluindo ainda outras operadoras, que, de acordo com ele, estão em conversas com a Qualcomm para entender mais sobre a tecnologia e como ela pode ser aplicada aos negócios.
*A jornalista viajou ao Rio de Janeiro a convite da Qualcomm

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