Neste ano, o celular vai se transformar em uma ferramenta fundamental para inclusão digital no estado de São Paulo. É que o programa Acessa SP vai instalar internet sem fio em 100 postos que já oferecem acesso gratuito a tecnologias da informação e comunicação (TICs).
Segundo Ricardo Mallet, coordenador do programa, a abrangência da rede wireless será no entorno dos postos, que muitas vezes estão instalados em praças públicas ou próximos a locais de grande circulação, como Poupa Tempo e estações de metrô.
“Nos últimos anos, vimos os smartphones serem vendidos a preços populares. O problema é que os pacotes de acesso à internet continuaram caros para as classes mais baixas. Com isso, as famílias passaram a ter os aparelhos, mas continuaram sem acesso a conteúdo”, destaca.
Para acessar a internet gratuitamente do celular, o usuário tem de ser cadastrado no programa do estado. Feito isso, é só colocar o nome do usuário e a senha para navegar. “Inicialmente, vai ser um projeto piloto. Não necessariamente será um posto em cada município. Na capital paulista mesmo, será mais de um”, explica Mallet.
Ao todo, o Acessa SP possui 703 unidades, sendo que 52 estão em fase de implantação. A expectativa é que sejam construidos outros 50 postos, neste ano, nos 94 municípios que ainda não são atendidos pelo projeto.
Hoje, 539 cidades do estado já oferecem atendimento e, no momento, o programa está sendo levado para mais 41.
O Acessa SP foi criado em 2000 e, desde então, contabiliza mais de 2,3 milhões de usuários cadastrados e 60,1 milhões de atendimentos. “A criação do programa coincidiu com o boom da internet. Percebeu-se a necessidade de levar TIC para as camadas sociais de baixa renda.
Afinal, o gap entre essa população e as classes A e B seria maior se não eles tivessem contato com tecnologia”, compara.
A expectativa é que nos próximos 10 anos, o Acessa SP ganhe 7,6 milhões de novos usuários, aproximando-se do número de 10 milhões de cidadãos atendidos pelo programa.
Ao contrário do que se imagina, o perfil da maioria dos usuários não é de adolescentes que estão interessados em acessar as redes sociais.
Segundo pesquisa elaborada anualmente junto aos usuários para identificação de perfil, tendências de uso e avaliação geral do programa, eles foram superados numericamente por jovens de 25 a 35 anos que utilizam a internet para procurar emprego e buscar conhecimento.
Monitores
O diferencial do Acessa SP são os monitores e o conteúdo educacional distribuído. Nos postos públicos, os formadores são alunos da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo, enquanto, no interior, a escolha fica a cargo da prefeitura.
Nos dois casos, os monitores passam por ciclo de capacitações. Ao todo, o programa tem 1,7 mil formadores. Um deles é Landia Alves, de São José da Bela Vista, que dá aula para 10 jovens e adultos com deficiência.
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