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Pressionada para vender seus negócios, TikTok processa o governo dos Estados Unidos

O TikTok abriu processo contra o governo dos Estados Unido argumentando que a ordem executiva privou a companhia de se defender juridicamente.

A ação ocorre após a ByteDance, detentora da marca, ser pressionada a vender seus negócios para empresas americanas para continuar operando no país. Para o governo chinês, a ordem do Presidente Donald Trump, foi um “ato de intimidação descarado”.

A negociação entre a ByteDance e a Microsoft (que agora uniu forças com a Walmart), capaz de apaziguar a situação, se tornou uma grande negociação envolvendo outros players e o governo americano. Detalhes das negociações foram reveladas ao jornal The New York Times por fontes sob condição de anonimato porque não estavam autorizados a falar publicamente.

Após Trump anunciar que encerraria as operações da ByteDance no país, sob alegação de “ameaça à segurança nacional”, a Microsoft disse que a medida interferiria nas negociações com a chinesa.

Em uma ordem executiva de 6 de agosto, Trump impôs um prazo para as operações da TikTok nos Estados Unidos até 15 de setembro. Dessa maneira, a empresa para de operar no país ou venda seus negócios para empresas americanas.

Desde então, várias empresas demonstraram interesse em tirar uma fatia da empresa chinesa. Não à toa, o TikTok se tornou um fenômeno nos Estados Unidos e em outros lugares. Mais de 100 milhões de americanos usam regularmente o aplicativo, segundo a empresa.

Fontes disseram ao jornal que um investimento minoritário da Microsoft potencialmente levaria a TikTok a usar seu serviço de computação em nuvem Azure, tornando imediatamente o aplicativo um dos maiores clientes em nuvem da Microsoft. A TikTok também pode estar ligada ao negócio de publicidade de US $ 7 bilhões da Microsoft. Juntos, isso pode fazer uma diferença significativa para o crescimento da gigante norte-americana.

Para ByteDance e TikTok, um acordo com a Microsoft pode ajudar a impulsionar a avaliação dos negócios do aplicativo fora da China para até US$ 80 bilhões e também daria à TikTok o endosso de uma empresa americana de primeira linha para apaziguar o governo Trump, diz o jornal.

Além da Microsoft, os licitantes incluem a Oracle, empresa de software empresarial, disseram pessoas com conhecimento das negociações. Banqueiros e investidores, alguns autorizados e outros simplesmente tentando fazer um negócio, também ligaram para a Netflix e o Twitter sobre a compra da TikTok, disseram. Entretanto, não fica claro se as empresas têm um interesse efetivo de aquisição. As fontes dizem ainda que a Microsoft parece ser a empresa mais adiantada nas negociações.

O jornal afirma que a negociação “se tornou um referendo sobre a relação EUA-China”, e mesmo uma venda da TikTok poderia ser interrompida se Pequim ou Trump participarem. Trump, no entanto, tem estado altamente envolvido, inclusive conversando com Satya Nadella, Presidente-executivo da Microsoft, e afirmando que a Oracle poderia lidar com a compra da TikTok.

O preço do negócio não está claro, diz a publicação, embora os números tenham variado de US$ 20 bilhões a US$ 50 bilhões, dependendo de quais partes da TikTok serão vendidas, disseram as pessoas ao jornal. Inicialmente, a Microsoft disse estar negociando parte dos negócios da empresa, incluindo da América do Norte. Posteriormente, mostrou intenção de comprar todos os negócios globais do aplicativo.

Steven Davidoff Solomon, Professor de Direito da Universidade da Califórnia em Berkeley, que contribui para o The New York Times, disse que o fato de os Estados Unidos forçarem uma empresa tão grande a se vender foi “realmente sem precedentes”. “Esta é uma venda forçada e o ByteDance está tentando evitar que seja o mais rápido possível”, diz ele.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, chamou a ordem executiva de Trump de “ato de intimidação descarado” e acrescentou que o governo dos Estados Unidos acabaria “colhendo o que plantou”.

“Preferimos muito o diálogo construtivo ao invés do litígio”, disse a TikTok em um comunicado. Mas, dada a ordem executiva, dizia: “simplesmente não temos escolha”.

A reportagem conta que para reduzir a pressão dos EUA, Zhang Yiming, Presidente-executivo da ByteDance, começou a consultar um pequeno grupo de investidores em sua empresa de internet, incluindo a Sequoia Capital e a General Atlantic.

A ByteDance, empresa privada, foi avaliada em cerca de US$ 100 bilhões.

Doug Leone, um dos sócios da Sequoia, e Bill Ford, Presidente-executivo da General Atlantic, se tornaram a ponte de Zhang para a Casa Branca, disseram as pessoas com conhecimento das negociações.

Em suas conversas, segundo o jornal, a administração Trump tinha estipulações específicas: primeiro, queria que a TikTok reformulasse sua governança e estrutura de acionistas para reduzir a propriedade do aplicativo pela ByteDance. Em segundo lugar, queria garantias de que os dados do usuário americano da TikTok fossem armazenados em servidores dos EUA.

Pessoas próximas às negociações disseram que as empresas precisavam de um grande parceiro de tecnologia dos EUA para fechar o negócio. Zhang e os investidores perceberam que Facebook, Google e Amazon estavam sob excessivo escrutínio antitruste, mas a Microsoft, com seu tesouro de US$ 137 bilhões, experiência em nuvem e fortes relacionamentos com o governo, poderia funcionar, diz o jornal.

A ByteDance quer o melhor preço para a TikTok e segundo o jornal, não quer ser apenas um licitante da Microsoft. Entretanto, a pressão do governo americano enfraquece a empresa chinesa nas negociações, a deixando encurralada. Isso tem sido um atrativo para outras grandes empresas se jogarem na disputa de negociação, o que poderia tirar a Microsoft da jogada.

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