Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, acaba de ser lançada a Frente Parlamentar de Tecnologia e Inovação. A iniciativa foi encabeçada por Seprorgs, Internetsul, Abrdadi-RS, AGS – Associação Gaúcha de Startups, Assespro, Assespro-RS, Associação Software Livre.org, Comcet, Instituto de Informática da UFRGS, Fadergs, Fenainf, Softsul, Sucesu-RS, SBC, Unisinos, Seprorgs, Rede Global de Empreendedorismo e Tecnopuc. Conta ainda com o vereador Valter Nagelstein, entre outros parlamentares apoiadores, com o objetivo de inserir, de forma efetiva, o debate e ações em torno do setor de Economia Digital gaúcho.
O lançamento ocorreu na Câmara Municipal de Vereadores de Porto Alegre e contou com a presença de entes da administração municipal como o próprio Nagelstein, já citado, o vice-prefeito Gustavo Paim, o secretário da Fazenda de Porto alegre, Leonardo Busatto, os vereadores Felipe Camozzato e Ricardo Gomes, e o presidente da Procempa, Paulo Miranda, compondo a mesa junto a gestores de entidades representativas das três principais frentes do mercado de TI: fornecedores, usuários e formadores de mão de obra.
Com a Frente, o objetivo das entidades, universidades e parlamentares envolvidos é organizar projetos, movimentar ações, elevar a participação do setor junto ao Executivo, criar pressões que determinem mudanças, desburocratizar e facilitar o acesso a mecanismos de fomento ao empreendedorismo e à inovação na cidade, com vistas a fazer de Porto Alegre uma referência em Tecnologia.
No lançamento, o vereador Valter Nagelstein salientou que a Frente auxiliará o Legislativo e a iniciativa privada a pressionar o Executivo municipal para a diminuição dos entraves ao empreendedorismo e para a facilitação da inovação em Porto Alegre.
“Temos indústria criativa, temos muitas empresas locais desenvolvendo o que há de mais moderno na tecnologia mundial. Temos que, de forma sinérgica, trabalhar junto com o Executivo e com as entidades, academia e empresas, que são quem faz acontecer, para transformar Porto Alegre no que queremos: a capital da alta tecnologia no País”, destacou Nagelstein na abertura da mesa.
O presidente do Seprorgs e do Ceti, Diogo Rossato, destacou que a TI é precursora da transformação nas cidades, um objetivo perseguido por diversos entes do poder público e da iniciativa privada porto-alegrense. “Este trabalho que está se iniciando agora não tem qualquer expectativa de reconhecer algum protagonismo individual, seja pessoal ou de alguma entidade específica. O objetivo aqui, muito claro, é aproximarmos todos que de alguma forma possam contribuir com o desenvolvimento de uma Cidade e uma Sociedade alinhada com a tecnologia e a inovação”, ressaltou o dirigente.
Dentre as ações, Rossato salientou algumas pautas a serem trabalhadas já nos primeiros trabalhos da Frente, como a Regulamentação da Lei de Inovação de Porto Alegre (Lei Complementar nº 721, de 29 de novembro de 2013), o fomento e inovação em startups, a reformulação do 4ª Distrito, projeto de revitalização de uma área de 594 hectares que abrange os bairros Floresta, São Geraldo, Navegantes, Humaitá e Farrapos com o objetivo de dosar o uso do solo urbano para atração de investimentos privados em infraestrutura e de empreendimentos na áreas de tecnologia, saúde, conhecimento e indústria criativa, gerando emprego e renda; e o mapeamento da malha de fibra óptica de Porto Alegre.
“Somos tidos como a cidade com maior extensão de fibra ótica no país, mas não temos conhecimento de onde esta rede está localizada”, comentou Rossato.
Outras ações levantadas pelo dirigente foram o uso da Tecnologia e aplicação da inovação nos serviços da cidade, posicionando Porto Alegre como uma verdadeira Smart City; a inclusão obrigatória da disciplina de Computação e Empreendedorismo na grade de ensino fundamental e a sugestão, avaliação e apoio à promoção de eventos temáticos na cidade, em especial na Semana da Ciência e Tecnologia que ocorre em todo país no mês de Outubro.
“Existe uma Lei de 2015 que estabelece esta semana também em Porto Alegre. Note-se que será daqui a poucos dias e não há nenhuma ação que possa promover a nossa cidade nacionalmente. Então, como queremos ser reconhecidos como a Capital Nacional da Tecnologia? Da Inovação? Uma cidade inteligente?”, questionou o gestor.
O discurso de Rossato foi apoiado pelos demais componentes da mesa, como o vereador Felipe Camozzato, que destacou como essenciais ações voltadas ao reforço do ensino e formação de mão-de-obra especializada, bem como de incentivos para o posicionamento e competitividade de empresas do setor. “Tive a oportunidade de estudar nos EUA e Bélgica, locais onde a tecnologia recebe estímulos palpáveis e mostra-se um item fundamental para o desenvolvimento dos países. Isto é fundamental também aqui”, complementou Camozzato.
Incentivos essenciais para o desenvolvimento do setor, também na opinião do vereador Ricardo Gomes. “Porto Alegre se tornou, ao longo dos anos, uma cidade difícil para o empreendedorismo, a ponto de se tornar hostil. Precisamos reverter esta realidade”, comentou, sendo complementado pelo secretário da Fazenda municipal, Leonardo Busatto: “Cidades próximas a nossa acabam levando empresas que poderiam se instalar aqui, mas não o fazem devido às dificuldades, falta de incentivos. Precisamos voltar a atrair empresas, a apoiar a Tecnologia, um setor que tem altíssimo valor agregado. Precisamos voltar a ser uma cidade amiga do empreendedor”, salientou o secretário.
O presidente da Procempa, Paulo Miranda, ressaltou que é preciso avançar para que a estrutura já disponível em Porto Alegre, como a fibra óptica instalada, seja utilizada de maneira a contribuir para o crescimento da TIC e do empreendedorismo na cidade. “Temos muito a evoluir em questões legais, regulatórias e outras que atrasam a instalação de novos empreendimentos de base tecnológica. Temos que melhorar o ambiente, e esta Frente Parlamentar ajudará nisso”, disse Miranda.
O administrador do Tecnopuc, Júlio Ferst, concorda. “Temos de dar apoio. Nosso mercado é para nossas empresas. Se não apoiarmos o que temos aqui, como estas empresas irão se fortalecer para competir no mercado externo¿”, questionou.
O vice-prefeito de Porto Alegre, Gustavo Paim, salientou a Frente como um novo mecanismo para pressionar o poder Executivo na transformação necessária para tornar a cidade um polo de TIC e desenvolvimento. “Temos, hoje, uma cidade exponencial em parques tecnológicos, em profissionais gabaritados, empresas inovadoras. Mas temos também um ranso que atrasa nossa evolução. Para toda mudança, há muita resistência. Somos a cidade onde nada pode. Por conta disso, Porto Alegre ainda não está no século XXI, para o qual temos de trazê-la”, afirmou.
O presidente da Fenainfo e diretor Financeiro do Seprorgs, Edgar Serrano, lembrou regiões da cidade que poderiam ser melhor aproveitadas para evoluir o cenário de inovação. “Um exemplo é o Cais da Mauá. Por que não direcionar um armazém, ao menos, para incentivar o empreendedorismo. Um espaço de coworking seria bem-vindo: poderia ser utilizado por quem quer empreender, fomentar várias empresas, e reverter a renda de aluguel para o próprio Cais, possibilitando melhorias”, afirmou.
Apesar dos entraves atuais, a Frente Parlamentar traz uma nova luz para a TIC da Grande Porto Alegre. O presidente da Sucesu-RS, Daniel Scherer, colocou que “apesar das amarras, estamos fazendo Porto Alegre acontecer”, sendo complementado pelo representante da OAB-RS na mesa de lançamento da Frente, Pedro Alfonsin: “com um projeto como este, dizemos sim à tecnologia; e quando dizemos este sim, estamos abrindo infinitas possibilidades”, avaliou.
Para início dos trabalhos da Frente Parlamentar, Rossato pontuou o agendamento de 5 reuniões nos próximos três meses, que terão datas definidas em função da disponibilidade dos parlamentares e gestores envolvidos.
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