A prorrogação do prazo pode frustrar quem esperava ansioso pela regulamentação da portabilidade numérica, aprovada hoje pela Anatel. “É uma realidade de mercado que demorou a chegar. Claro que isso aconteceu porque havia questões mais urgentes no setor, como interconexão e unbundling, a Anatel esperou o mercado amadurecer um pouco”, comenta Carlos Eduardo Rocha, diretor de telecom da BearingPoint. Mas a implementação paulatina já era prevista. “Vai demorar para haver uma portabilidade completa, incluindo mudança de uma região para outra”, complementa.Para Rocha, a entidade administradora, um dos pontos polêmicos nas discussões da portabilidade, representa um business, um modelo de negócio lucrativo. “Uma parte do custo da portabilidade vai para a manutenção e atualização deste banco de dados. É este custo que as operadoras repassam ao cliente,” explica. O executivo aprova a criação da entidade com independência do Governo e participação de todas as operadoras.A melhoria na qualidade do serviço e aumento na competitividade do setor de telecom já são dadas como conseqüências certas da portabilidade. “O importante é que estamos partindo para um modelo de alta competição na telefonia, esse é um dos maiores benefícios que o consumidor vai ter. Veremos o que é ser bem atendido, a partir daí.”Por outro lado, as operadoras sofrerão os maiores impactos. “Os principais desafios não são apenas mercadológicos, mas também técnicos. A adequação dos sistemas não é simples, entretanto, as teles já estão se preparando há algum tempo e o custo vai depender de quão moderno são os seus sistemas. Acredito que estão razoavelmente adiantadas”, opina.Quanto ao cenário de consolidação do mercado de telecom, Rocha vê a portabilidade como um fator a mais a impulsionar esta tendência. “O principal custo para a operadora será a perda de receita futura, com a migração do cliente para a concorrente. Assim, a competição aumenta, e as margens se reduzem. Aquisições são instrumentos para recuperar margem, neste sentido a portabilidade pode influenciar este cenário”.
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