Às vezes, somos nossos piores inimigos. Uma pesquisa realizada pela Microsoft, em 2007, muito divulgada, mostrou que um funcionário habitual precisa decorar ao menos sete logins. Agora estamos acumulando aplicativos SaaS e móveis enquanto concedemos status de confiança e acesso à rede a parceiros, sem conhecer direito sua segurança – e apenas perguntamos a um CIO, cuja organização enfrentou brechas, como o problema foi resolvido. Ainda assim, apenas 27% dos 438 profissionais de tecnologia do negócio entrevistados pela recente pesquisa Identity Management, da InformationWeek EUA, disseram que as empresas têm o que consideramos implantações abrangentes de Identity Management (IdM), definidos como programas internos de IdM, além de uso interdisciplinar para parceiros e fornecedores externos. O aumento no número de adoções foi minúsculo desde a última entrevista sobre IdM, em 2009.
Se feita corretamente, a implantação de gerenciamento de identidade emprega uma mistura de software e processos para alcançar um único e simples objetivo: garantir que as pessoas sejam quem dizem ser e, então, dar a cada uma o nível adequado de acesso. O IdM engloba cinco pontos essenciais: autenticação, provisionamento e desaprovisionamento de usuário, mapa de função, configuração de identidade de serviços de diretório e armazenamento, e auditoria e relatório. Esses pontos, mais assinatura criptografada e outras tecnologias de permissão, determinam inteoperabilidade segura entre funcionários, clientes e parceiros.
Em 2009, o foco estava na federação interdisciplinar com fornecedores externos, em que cada negócio age tanto como emissor quanto como consumidor de credenciais de identidade; o objetivo era permitir acesso por meio de sign-in único a todos os membros da federação. Hoje, empresas como Facebook e Twitter avançam nesse conceito, adotando o método ?bring your own identity? (traga sua própria identidade) ou BYOI, de que falarei mais para frente.
Fornecedores estão, finalmente, se comprometendo com padrões, como OAuth. É empolgante. Mas, no final das contas, ainda é preciso verificar se quem acessa dados sigilosos realmente é quem diz ser. E isso ainda é um desafio.
Vale a pena
O desejo pelo gerenciamento de identidade existe desde que se começou a usar controle de acesso e diretório baseado em função. A ideia de um único ponto em que se define o usuário, sua função, a que ele tem acesso, a combinação de nome de usuário e senha faz muito sentido, até mesmo para o executivo menos tecnológico.
Todo mundo gosta de ter uma forma rápida e certeira de restringir o acesso caso um funcionário deixe a empresa para trabalhar na concorrência. E, em teoria, com esse repositório local, sempre que a TI precisar de um novo aplicativo, a equipe de desenvolvimento pode, simplesmente, acessar o diretório de armazenamento e usar o sistema de IdM para oferecer autenticação e autorização. Pronto.
Mas temos um problema: o mundo é uma bagunça. O ROI do gerenciamento de identidade é diretamente dependente da rigidez com que a área de TI integra aplicativos e serviços com o programa de IdM. Cada ponto do software que não estiver completamente conectado, ou se estiver apenas parcialmente, requer um conjunto único de processos de autenticação e autorização, e isso significa customização cara. No final, acaba tendo com lacunas.
Como é muito difícil centralizar tudo em apenas um sistema de gerenciamento de identidade, empresas buscam produtos da federação que estejam no topo dos sistemas IdM e prometam fornecer integração. Por exemplo, com a federação é possível (teoricamente) usar o Active Directory para login em sistemas operacionais, mas implantar Oracle IdM para bancos de dados.
O problema aqui é que gestão de identidade precisa ir além de logins internos e identidades. Muitas empresas permitem que fornecedores e terceiros acessem dados sigilosos. No entanto, quando se tentar ligar tecnologia da federação com um terceiro, você pode esquecer a possibilidade de ter produtos IdM se comunicando na mesma língua, devido a ausência de padrões amplamente adotados.
Para piorar a situação, a maioria dos sistemas de rede e aplicativos ainda não consegue se comunicar com produtor IdM e ponto: em nossa pesquisa, apenas 18% daqueles que implementaram autenticação de aplicativos cloud/SaaS no programa de IdM disseram que esses aplicativos se integram com os diretórios em uso; 49% tiveram gastos com desenvolvimento customizado para integrar com fornecedores de SaaS, e 44% fornecem acesso a usuário e lidam com senhas manualmente.
Mesmo com tanta frustração, a federação não está morta – apenas hibernando. Nos próximos dois anos, esperamos ver alguns jogadores fortes em campo, como Ping Identity, Microsoft e Oracle (Sun) aderindo aos padrões e se destacando no mercado.
Enquanto isso, entre os entrevistados ignorando completamente IdM, 70% disseram que é porque não veem necessidade. Nenhum outro fator sequer atingiu dois dígitos. Isso sugere que fornecedores ocupados com renovações, redefinição de preços e renomeação de produtos e insistindo em facilidade de uso estão perdendo tempo. Apenas 5% citaram complexidade e 4% o alto custo.
Nossa mensagem para esses 70%: vocês estão se enganando. Entendemos porque a TI tem certo receio de IdM, devido a falta de suporte a integração e padrões. Mas enfrentamos ameaças sérias enquanto, simultaneamente, jogamos serviços em nuvem e dispositivos pessoais no bolo. Analise o perfil de seu funcionário como usuário do Facebook, Gmail e uma variedade de outros aplicativos baseados em web. Provavelmente, cada um deles tem entre sete e 15 combinações nome/senha; enquanto isso, sua empresa está, possivelmente, usando ou considerando usar serviço em nuvem que, por definição, não estão sendo legais com o Active Directory.
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