Em um momento em que muitas organizações buscam softwares de mercado, em vez de códigos personalizados, permitindo, também, o uso de tecnologias mais massificadas, o CIO da Union Pacific (UP), Lynden Tennison, é um entusiasta do desenvolvimento interno em detrimento da compra de software, hardware e sistemas diversos que sustentam sua empresa de transporte ferroviário de US$ 20 bilhões. Desta forma, a UP gera entre US$ 35 milhões e US$ 40 milhões de receita por ano com a venda ou licenciamento dessas inovações tecnológicas para outras empresas, incluindo concorrentes, criando um pequeno centro de lucro dentro do seu departamento de TI que consome US$ 300 milhões anualmente.
A UP, maior companhia ferroviária dos EUA, operando em Chicago e Nova Orleans, desenvolve e constrói muito do que necessita em tecnologia. A empresa tem necessidades complexas e específicas e que, de forma geral, não atraem a maioria dos fornecedores de TI. Os fabricantes que tentam atender a esse mercado, afirma Tennison, estão em dificuldades financeiras ou cobram preços muito elevados por não produzirem em larga escala. Assim, a UP sempre considera alternativas de desenvolvimento in-house.
Embora Tennison brinque que a UP não está disposta a entrar no mercado de softwares em geral no curto prazo, ele desenvolveu sua própria aplicação de supply chain, já que as similares de SAP e Oracle não atendem às necessidades de desempenho (a tolerância é de 1,5 hora de downtime por mês por sistema para atualizações e eventuais mudanças). A UP também desenvolve seu próprio firewall, seu modelo de arquitetura voltada ao serviço (SOA), os rádios usados em locomotivas, consoles de rede e antenas, possui seu próprio espectro de rádio e 34 mil milhas de fibra óptica, além de construir suas próprias torres de micro-ondas.
Outro ponto bastante ambicioso: a UP adquiriu uma pequena empresa de games há alguns anos para desenvolver programas de realidade virtual ? com avatars e imagens de trens e linhas férreas em 3D com muita qualidade e presidente ? para treinamentos internos de operadores remotos, condutores, inspetores de veículos e outros profissionais. A companhia agora pretende vender seus software para outros grupos ferroviários, além de construtoras, mineradoras e empresas de energia, tudo dentro da unidade PS Technology.
A mãe de todos os projetos de TI da UP é o NetControl, um sistema de gestão de transporte baseado em Linux idealizado para substituir a plataforma baseada em mainframe que a companhia colocou para rodar na década de 1960. Cerca de 270 pessoas em todo o mundo trabalham na criação no NetControl, time que Tennison chama de ?nossas joias familiares?. O sistema de US$ 200 milhões está com metade de sua criação pronta a deve estar em operação total a partir de 2017.
O atual sistema de gestão de transporte da Union Pacific é muito usado para tomar ordens de clientes, programar as operações dos trens, organizar o que será colocado nos vagões e monitorar o tráfego. Ele está em atualização para uma plataforma totalmente baseada em web, permitindo aos clientes o acesso a partir de dispositivos móveis, produzirem ordens mais bem detalhadas e verificar o itinerário planejado para seus embarques. Com o NetControl, a central unificada de TI terá a possibilidade de monitorar os terminais e o uso da rede o tempo todo e prever problemas na oferta e demanda de equipes ou energia de locomotivas. Os fluxos automatizados poderão recomendar soluções otimizadas.
Um benefício interno do NetControl é a garantia de que mais conhecimento técnico está disponível para suportar uma plataforma web quando se comparada com um sistema mainframe, afirma Tennison. A UP também deverá comercializar o NetControl para outras empresas.
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