O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) divulgou resultados da enquete realizada entre os dias 8 a 21 de setembro sobre os novos termos de uso do WhatsApp. O questionário identificou a percepção dos consumidores sobre as mudanças na política de privacidade, que passarão a valer na próxima semana. Anunciada recentemente, a alteração obriga usuários a compartilhar dados da conta, como número de telefone e tempo que fica no aplicativo. Com as novas regras, o usuário aceita ou é obrigado a deixar o serviço.
No total, 2.463 pessoas responderam à enquete on-line do Idec e para 63,5% delas, os termos de uso do aplicativo são injustos, pois “o WhatsApp protegia a privacidade” e não tem “como escolher o que quero compartilhar com o Facebook”. A enquete também mostra desconfiança com relação à criptografia ponta a ponta. Quase metade dos participantes (48%) acredita que o conteúdo das comunicações será compartilhado com outras empresas.
Rafael Zanatta, advogado e pesquisador do Instituto, aponta que as pessoas acreditam que a única mudança que está acontecendo é o compartilhamento dos dados da agenda telefônica do WhatsApp com o Facebook. Contudo, a alteração vai além. “Há muito mais por trás da mudança dos termos de uso e o WhatsApp falhou em garantir o consentimento livre para todas essas escolhas, desrespeitando o Marco Civil da Internet”, observa.
A enquete ainda apontou que para 25,7% os termos são confusos, indicando que a empresa não soube explicar, de forma didática e compreensível, o que será compartilhado. Segundo aponta o relatório do Idec Consentimento Forçado?, que apresenta os dados da enquete, esse dado reforça a tese de que o WhatsApp não está sendo suficientemente transparente com relação ao uso dos dados de conexão, geolocalização, interação do usuário com outras pessoas e aparelho telefônico usado.
“Todas essas informações dizem muito sobre quem o usuário é, por onde ele anda e o que ele faz. Se o Facebook quer lucrar com a coleta desses dados, precisa da autorização das pessoas. Precisa ter boa-fé e transparência com os 100 milhões de consumidores no Brasil.”
O relatório ainda traz recomendações para empresas privadas de tecnologia que atuam no Brasil. O Idec defende, também, a instauração de inquérito civil para averiguação de violação de direitos coletivos e cooperação, por parte da Secretaria Nacional do Consumidor, com autoridades garantidoras de proteção de dados pessoais em países estrangeiros.
“O Brasil é um dos maiores afetados por tais mudanças, pois responde por 10% da base de clientes do WhatsApp. Porém, não podemos esquecer que o problema da privacidade é global e precisa de mais colaboração internacional por parte de reguladores e da própria sociedade civil”, finaliza o pesquisador.
A Unico, empresa brasileira especializada em identidade digital e biometria facial, ingressou com ações nas…
A Salesforce anunciou parceria com a FIFA como apoiadora oficial da Copa do Mundo de…
Neil Redding será o palestrante de abertura do IT Forum Praia do Forte 2026. Com…
Apesar da consolidação da computação em nuvem como um dos pilares da transformação digital, uma…
As equipes de segurança cibernética enfrentarão um cenário cada vez mais complexo nos próximos anos,…
Apenas uma em cada três pessoas dos Estados Unidos aprova o ritmo acelerado de construção…