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Pandemia faz Brasil lembrar dos desbancarizados

Um dos temas que vem sendo amplamente discutido pelo Banco Central do Brasil (Bacen) é a inclusão financeira no país, medida imprescindível para manter a economia crescendo. Permitir que toda a população realize compras no canal que desejar, com a forma de pagamento que quiser ou tiver acesso é fundamental. Diante da pandemia que estamos vivendo, métodos de pagamentos inclusivos têm facilitado ainda mais o uso do e-commerce, que vem viabilizando a aquisição de produtos essenciais no período da quarentena, bem como o ingresso aos serviços de streaming, jogos e educação à distância.

Com o avanço da Covid-19 mundo afora, o Brasil parece ter se lembrado das 45 milhões de pessoas que não mexem na conta bancária há mais de seis meses ou que optaram por não ter conta em banco, mas que movimentam cerca de R$ 800 bilhões anualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para atender com eficiência todos os consumidores e proporcionar uma melhor experiência de compra aos clientes nesse momento, as lojas virtuais estão sendo obrigadas a trazer novas opções de pagamento em seu checkout.

Pode ser que o isolamento social aumente a adesão bancária, especialmente com o advento dos bancos digitais e e-Wallets, que permitem uma abertura de conta fácil e simplificada. Mas acredito que oferecer métodos de pagamento alternativos é necessário para que o varejo alcance um número maior de consumidores, visto que muitos não têm acesso a cartão de crédito. Segundo o Instituto Locomotiva de Pesquisa, o pagamento em dinheiro é preferência para 71% dos brasileiros ao fazerem compras cotidianas.  Viabilizar esse método de pagamento para compras online parece caminho para o sucesso.

Para comprovar que já está havendo uma movimentação no mercado, a PagBrasil observou um aumento de 65% em números de transações em abril de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, as transações com o Boleto Flash também dispararam durante o isolamento social, apresentando crescimento de 345% no referido mês. Os dados indicam que as empresas estão buscando soluções para garantir as vendas virtuais e que os consumidores estão demandando cada vez mais agilidade e eficiência nos métodos de pagamento online.

Em âmbito de América Latina, o mercado brasileiro é o mais avançado no comércio eletrônico, com tecnologias líderes em termos de fintechs. Para esse ano, a estimativa é de que o e-commerce cresça 18% e alcance um faturamento de R$ 106 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Se o setor está sendo impulsionado pelo novo coronavírus, diversificar o portfólio e acelerar tendências em tempos desafiadores é possível. Aproveite!

*Ralf Germer é CEO e cofundador da PagBrasil

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