Está fora do nosso escopo a intervenção dos governos em caso de guerra ou terrorismo. No entanto, gostaria de abordar a invasão que sofremos pela disponibilidade de nossos dados por empresas e entidades que os coletam quando interagimos com as mesmas. Considero, porém, a existência de três pilares que podem garantir ou fragilizar a nossa privacidade, são eles:
a) Empresas que usam nossas informações
Para viver no nosso mundo -? real ou virtual , sempre disponibilizamos nossas informações para organizações com as quais temos relacionamento. Ao colocarmos um filho na escola, preenchemos uma ficha extensa e fazemos questão que os dados estejam sempre atualizados, pois pode surgir uma situação de emergência. Ao fazermos uma compra, por exemplo, entregamos nossas informações. É assim o nosso dia-a-dia.
Empresas sérias divulgam sua política em relação às informações que obtêm dos seus clientes. Se, na vida real, evitamos negociar com organizações suspeitas uma regra semelhante deve valer para o mundo virtual. A declaração de princípios de uma organização sobre o tratamento dos dados privados de seus clientes pode não garantir cem por cento que nada de errado vai acontecer, mas teremos muito mais chances de que o assunto é tratado com seriedade e profissionalismo.
Ao passear na Internet também devemos considerar quais locais devemos entrar. Mas sem perder a maior vantagem da web, que é a de acessarmos informações em locais que nunca imaginamos antes. No entanto, verifique o posicionamento da organização em relação à privacidade do cliente ou do visitante.
b) A legislação
No Brasil, a legislação atual já considera várias situações de invasão de privacidade e novas leis estarão sendo promulgadas para facilitar a interpretação e a aplicação das regras. Entretanto, existem situações nas quais uma linha tênue delimita situações legais daquelas que quebram a lei. Quantas mensagens são necessárias para se considerar que é um envio de um spam? Uma legislação efetiva possibilita a proteção da nossa privacidade e a punição para quem a desrespeitar.
c) As próprias pessoas
Considero que essa é uma frente na qual temos nos esforçado muito pouco. Na maioria das vezes, a informação de uma pessoa é disponibilizada facilmente por ela própria. Pode até ser de forma não consciente. Alguns exemplos são os sorteios de carro em promoção de revistas, que fazem perguntas sobre nossa forma de viver. Em recente encontro de segurança, o almoço foi patrocinado por uma empresa que realizou uma pesquisa detalhada sobre a situação das organizações dos convidados. O problema é que existia uma obrigação para nos identificar. Eu declinei da pesquisa! Ou seja, precisamos estar mais atentos e conscientizar as pessoas com as quais convivemos de abrir informações ou não.
Ninguém responde a um entrevistador na rua, porém admite enviar em e-mails os seus dados sem, muitas vezes, questionar para quem está mandando as informações e qual o comprometimento do destino final em relação à privacidade dos dados. Ao garantirmos o funcionamento dos três pilares, com certeza as nossas informações têm mais chances de preservação. Lutemos por eles!
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