Onde você quer estar daqui a 15 anos? Se esta pergunta é difícil de ser respondida no âmbito pessoal, torna-se ainda mais quando se trata de corporações. A resposta demanda análises profundas de possíveis cenários econômicos e políticos, avanços tecnológicos e mudanças institucionais e sociais. Ainda assim, o resultado será um conjunto de possibilidades que se ajustarão de acordo com os rumos de cada uma destas variáveis.
Colocar-se diante de diversas possibilidades é um exercício que as empresas devem praticar com regularidade para planejar seus rumos em termos de inovação, diferenciação de mercado e crescimento. Com o objetivo de ajudar o setor financeiro a continuar se desenvolvendo, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) contratou a Sciere, especializada em consultoria empresarial na área de tecnologia da informação, para traçar os possíveis cenários dos bancos nos próximos quinze anos.
Revelado com exclusividade à InformationWeek Brasil, o estudo partiu de um questionário baseado na metodologia de planejamento utilizada pela Shell (e à qual se atribui a continuidade da companhia mesmo depois da crise do petróleo, nos anos 1970) e de consultas a especialistas, profissionais e acadêmicos de áreas financeiras e correlatas. “De tempos em tempos, a organização deve rever o planejamento estratégico e reconsiderar suas crenças quanto às probabilidades”, afirma Edson Fregni, professor da Escola Politécnica da Universidade de Sao Paulo e sócio-fundador da Sciere.
Levantar a visão dos executivos de TI dos bancos sobre os próximos 15 anos e suas principais preocupações mostra como eles estão preparando suas empresas para enfrentar os desafios vindouros. O ponto que mais chama a atenção é o fato de o Brasil ter alcançado grau de investimento, o que oferece aos bancos maior possibilidade de financiar o crescimento econômico.
O Santander, por exemplo, tem observado diversos segmentos como oportunidades de negócios, principalmente no setor energético, no qual já mantém vários projetos. ?Com isto, os bancos viverão um novo ciclo de desenvolvimento?, afirma Reginaldo Fontes, superintendente de tecnologia da Altec Brasil, empresa de tecnologia do Grupo Santander, que junto com os bancos Royal Bank of Scotland e Fortis comprou o holandês ABN Amro por US$ 101 bilhões em outubro do ano passado.
José Luis Prola Salinas, vice-presidente de tecnologia e logística do Banco do Brasil, avalia que, a médio prazo, a atual situação de crescimento resulte na queda na taxa de juros e no spread bancário. ?Será crucial que os bancos trabalhem com alto índice de eficiência operacional e a TI terá papel importantíssimo neste processo?, assinala. ?Afinal, com a mesma infra-estrutura poderemos atender uma base de clientes cada vez maior?, completa o principal executivo de TI. Neste trimestre, o BB viu seu lucro líquido aumentar 66,6% em comparação com o mesmo período de 2007.
Esse horizonte é positivo, mas também traz novas preocupações aos CIOs dos bancos. O principal é, sem dúvida, a disponibilidade dos sistemas. Para isto, alguns deles passam por reformas que visam a preparar a infra-estrutura para o aumento de demanda. O Bradesco, que registrou lucro líquido de R$ 2,1 bilhões no primeiro trimestre, está investindo R$ 130 milhões em um projeto que inclui um novo centro de operações. Segundo Laércio Albino Cezar, vice-presidente administrativo e de tecnologia do maior banco privado do Brasil, tudo o que diz respeito à rede de atendimento, que representa cerca de 60% das atividades de TI, já está operando neste novo centro. A perspectiva é que até meados do próximo ano todas as atividades estejam na nova localidade.
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