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Operadoras e varejo de telefones móveis puxam freio de mão

Os últimos dias estão alterando as expectativas otimistas da indústria de aparelhos celulares. Embora até sexta-feira passada nenhuma das grandes fabricantes tenha aventado a possibilidade de reduzir a produção no Brasil, uma vez que as encomendas das operadoras e do varejo mantivessem o mesmo nível do começo do trimestre, a realidade começou a mudar.

Das três grandes operadoras – Vivo, TIM e Claro -, as duas primeiras reduziram suas compras em cerca de 10% a 15% e somente a Claro aumentou, conforme fonte ouvida pela Gazeta Mercantil, e que pediu para não ser identificada.

Enquanto isso, importante cadeia de varejo informou à indústria que suas vendas estavam correspondendo a 60% do total comercializado na mesma época do ano passado.

É possível que o movimento tenha sido pura compensação, pois Vivo e TIM haviam sido muito otimistas nas encomendas do fim do ano, enquanto a Claro havia pisado no freio sob a luz das informações da crise mundial. “É provável que a reação dos últimos dias seja só uma forma de equilibrar os estoques e garantir abastecimento adequado, sem sobras”, afirmou o executivo.

Dólar baixo não evitou

Por outro lado, o recuo das operadoras pegou os fabricantes de surpresa. O fato de terem fixado o dólar em R$ 1,90 – numa atitude tomada pela Nokia e seguida por todas as demais fabricantes para não perder mercado – prometia segurar as vendas de fim de ano tão aquecidas como se imaginava antes da crise financeira mundial ter mostrado o nível de sua agressividade. “Não esperávamos essa redução logo agora”, disse a fonte da indústria.

Natal seletivo

Outro fator de surpresa para os fabricantes de celulares decorre da previsão de que haveria substituição de bens adquiridos no Natal.

“Ao invés de comprar eletroeletrônicos mais caros, como TV de plasma e LCD, os consumidores tenderiam a gastar menos comprando telefones celulares que também estão incluídos em objetos do desejo mas podem ser encontrados por valores mais baixos”, disse a fonte referindo-se a aparelhos de R$ 500, R$ 400 e até R$ 200 a unidade.

A percepção da indústria desde o início desta semana é de que nem o dólar fixado nem a possível substituição de presentes mais caros pelos mais baratos conseguiu segurar a diminuição de encomendas. Ela começou a acontecer. E com isso as previsões iniciais de que este ano totalizaria vendas de 50 milhões de celulares, devido à entrada da quarta operadora em São Paulo, a Oi, e do aumento da competição entre elas, acabaram perdendo sentido. As operadoras não querem divulgar nenhuma má previsão, mas a indústria já considera que 47 milhões pode ser uma cifra mais exeqüível.

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