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O que limita a Internet das Coisas?

Muito tem se falado sobre a Internet das Coisas, ou Internet of Things (IoT), que conecta aparelhos eletrônicos do nosso dia-a-dia, com máquinas industriais e meios de transporte à Internet. Carros sem motoristas, pulseiras inteligentes para atividades esportivas e chãos de fábrica totalmente automatizados, só se tornaram possíveis graças a essa conexão entre diversos dispositivos que antes não se comunicavam. O impacto da IoT é tão grande que, segundo o instituto global de pesquisa IDC, este mercado deve movimentar cerca de US$ 7 bilhões em 2020 somente no Brasil, 71% a mais do que em 2015.

Mas, para que as empresas possam aproveitar essa revolução tecnológica e aplicar o conceito de IoT a favor dos negócios, é preciso entender que ele não é limitado a uma tecnologia específica, e sim a um momento que estamos vivenciando no setor de TI, no qual os fornecedores de tecnologia, organizações e usuários finais, vêm construindo juntos. E, para a criação desse momento podemos destacar que o principal carro-chefe foi a proliferação do protocolo IP (Internet Protocol), que atingiu de ponta-a-ponta setores e indústrias em todo o mundo.

Em outras palavras, o IP tornou-se o protocolo padrão de quase todas as comunicações existentes. E de fato, isto seria uma questão de tempo, pois o protocolo traz junto com ele uma série de conceitos e inovações que permitem desvincular, por exemplo, a parte física, o hardware, como smartphones, smartwatches e diferentes máquinas, dos sistemas e camadas lógicas de comunicação, como uma plataforma de gestão de ciclo de vida de uma máquina ou um simples aplicativo de telefone celular.

Esta “mágica” é o que proporcionou a popularização do protocolo IP, já que ele fornece escala e transcendência, e abstrai dos sistemas e aplicações dos usuários os detalhes específicos das tecnologias de transmissão, permitindo tratar diversas redes interconectadas, ou seja, vários canais de comunicação (Ethernet, SDH, DWDM, LTE, Wifi), como apenas uma rede. E é isso que torna o protocolo IP uma ferramenta indispensável para a IoT. É um “coringa” que conecta os dois mundos, o das aplicações e sistemas, apps e plataformas de TI, e o das tecnologias de transmissão e telecomunicações, os dispositivos ou “coisas”.

Com a evolução da tecnologia, os protocolos de rede foram otimizados e tornaram-se mais flexíveis introduzindo cada vez mais elementos e variantes para facilitar a implementação dos mesmos. O resultado desse processo foi a condição de embarcá-lo em praticamente qualquer dispositivo com capacidade de comunicação. Consequentemente, estes dispositivos ou “coisas” anteriormente desconectadas, passaram a usufruir de todas as facilidades e benefícios por estarem conectados, como a transmissão de dados e a extração de informações em tempo real de praticamente qualquer dispositivo envolvido no processo.

No momento atual, em que as tecnologias de comunicação e sistemas de informação com todas suas opções e variantes estão mais acessíveis e à disposição das empresas, as mesmas passam a avaliar não apenas o uso das tecnologias de comunicação para garantir a operação e a continuidade dos negócios, mas também como ferramentas para otimizar os processos corporativos. Como por exemplo, obter mais informações do ambiente de trabalho (maquinário, equipamentos, sensores, entre outros), ganhar eficiência operacional, entender e atender melhor o cliente, e desenvolver um produto cada vez melhor com base nos benefícios descritos acima.

Ofertas e ferramentas de Big Data, IoT, Cloud Computing e XasS (modelo de entrega de ofertas, serviços e infraestruturas por meio da nuvem – X as a Service) são resultados de novos modelos de negócios e soluções que se voltaram para atender de forma eficiente e inovadora um mercado que mudou drasticamente, assumindo a ruptura de alguns paradigmas. Este setor passou a aplicar a tecnologia como parte essencial dos negócios, obrigando as empresas desenvolvedoras de TI a se reinventarem para poder atuar neste novo mercado, no qual deverão desempenhar o papel de integradoras do ambiente de TI do cliente e não mais de meras fornecedoras de tecnologia.

E como integradoras, as companhias de TI deverão ser também parceiras de negócios, isto é, ajudar os clientes produzir, operar e vender melhor, integrando, modelando e adaptando a tecnologia à disposição das organizações para alcançar os objetivos dos usuários.

Nunca antes o papel de um integrador de sistemas foi tão crucial como neste momento e a tendência é que isto se intensifique com a evolução e a adoção de tecnologias conectadas. IoT significa um ecossistema de soluções, tecnologias, protocolos, etc., unificados e à disposição para serem interligados. Significa lidar com dispositivos com características diferentes entre si, integrar produtos de diferentes fabricantes com funções específicas, que em conjunto operam para atender uma necessidade ou resolver um determinado problema.

Sendo assim, não existem ofertas de prateleira fechadas em caixinhas, para as empresas implantarem IoT, mas sim tecnologias prontas e à disposição que permitem desenvolver praticamente qualquer tipo de solução que atenda às necessidades de negócios. Só é preciso escolher o parceiro certo para ser o guia neste conectado mundo novo.

 

(*) Gerardo Mendel é arquiteto de soluções da Dimension Data

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