O líder do Windows e Windows Live, Steven Sinofsky, deixou a Microsoft no dia 12/11 após traçar um novo rumo para a empresa com o Windows 8, lançado no final de outubro.
A tarefa de desenvolvimento de produtos eficazes foi imediatamente passada para Julie Larson-Green, vice-presidente da companhia de Redmond, que trabalhou com o chefe anterior do Windows. Julie herda a responsabilidade do Windows em um momento em que a Microsoft está em transição para a chamada era pós-PC, onde seus desktops, tablets, televisões e smartphones estão todos ligados por meio de serviços online.
A saída
É muito cedo para colocar a culpar da saída de Sinofsky na má reação aos produtos da MS, já que o lançamento do Windows 8 ao público foi há menos de três semanas. Apesar de uma reação morna para o Surface RT e um futuro incerto para o Windows, a maioria dos críticos acredita que o fim do mandato de Steven foi, em grande parte, resultado de disputas políticas internas.
Sinofsky, em uma carta aos funcionários – conforme publicado no Supersite for Windows -, disse que sua saída foi “uma escolha pessoal e privada”. A Microsoft diz que a partida foi uma decisão mútua entre o líder do Windows e a empresa. No entanto, muitas reportagens afirmam que Steven foi uma figura divisível e não cooperativa dentro da MS, o que pode finalmente ter causado sua ruína.
A Microsoft tem a reputação de ser um conjunto disperso de guerra de feudos, no entanto, a empresa está cada vez mais focada na cooperação interdepartamental e integração de produtos. “Nossa estratégia de negócio visa fornecer produto integrado e ofertas de serviços, e isso requer uma colaboração mais estreita entre organizações”, disse a companhia em uma recente declaração de procuração para a Comissão de Valores Mobiliários.
E, como Mary Jo Foley do ZDNet apontou, em uma carta aos funcionários explicando a saída do executivo na segunda-feira, o CEO da MS, Steve Ballmer, elogiou “a capacidade de Julie de efetivamente colaborar e impulsionar uma agenda entre empresas”.
O legado de Sinofsky e os desafios de Larson-Green
Uma vez que Sinofsky ajudou a criar o Windows 8, defendeu o tablet Surface e é creditado por garantir que o software seja vendido dentro dos prazos da Microsoft, o caminho de Julie será difícil. Seu trabalho será projetar “o desenvolvimento futuro dos produtos Windows, além de oportunidades futuras de hardware”, segundo a Microsoft.
O desafio gigantesco da executiva é ajudar a empresa a reter 1,3 bilhão de usuários do Windows, enquanto os smartphones Android e tablets da Apple continuam a levá-los para longe. Em 2011, as vendas do sistema operacional trouxeram 11,5 bilhões de dólares em receita à Microsoft.
Se as pessoas decidirem não fazer o update para o Windows 8, ou tomarem a decisão de comprar um novo iPad em vez do Surface, todo o trabalho de Larson-Green se resumirá a arrumar toda a bagunça deixada após os esforços feitos por Sinofsky.
Os fundamentos de Sinofsky
O objetivo do executivo de oferecer integração total de softwares e serviços da Microsoft ao Windows 8 e ao Surface estão seguindo uma tendência atual de mercado. As maiores empresas do ramo estão caminhando para o mundo da integração. A Apple, por exemplo, a cada ciclo de lançamentos integra mais profundamente seu Mac e dispositivos iOS com o iCloud, o serviço de armazenamento em nuvem, sincronização e compartilhamento de arquivos da companhia.
Já o Google casou seu Android com o sistema operacional Chrome para uma extensa gama de serviços online da gigante, que inclui o GMail, Google Docs, Google+, Maps e buscas locais. Até mesmo as maiores fabricantes de computadores Windows, como a Acer e a Lenovo, estão criando soluções para sincronizações baseadas em nuvem, na tentativa de oferecer serviços integrados com seu próprio hardware.
Sinofsky garantiu que o Windows 8 seria um início consistente no plano de integração da Microsoft. O novo sistema operacional conecta uma variedade de produtos da companhia, incluindo Bing, SkyDrive, Outlook.com e serviços de entretenimento do Xbox, como games, músicas e vídeos, além do Windows Phone 8.
A companhia também está adicionando o Office a essa transição, colocando suporte em nuvem para o software, que permite ao usuário instalar até 5 dispositivos diferentes. Há rumores de que a versão do Office para Android e iOS também estará disponível em breve. Agora está na mão de Larson-Green ir além na integração mais profunda de software. No início de 2013, a Microsoft lançará uma nova versão do Surface baseada no Windows 8 Pro. E, até lá, também há rumores de que a companhia produzirá seu próprio hardware para Windows Phone.
Ainda não está claro se a gigante planeja abandonar o foco em seus softwares em favor de um modelo de negócios de hardware, ao estilo Apple. Talvez a empresa esteja apenas “emprestando o manual” do Google para produzir os chamados “produtos emblemáticos”, que definem o tom que o Windows 8 – e um futuro Windows 9 – deve seguir.
Quaisquer que sejam os planos de hardware da Microsoft, os maiores desafios de Julie e da gigante são manter as plataformas Windows relevantes, oferecendo uma ampla variedade de serviços e hardware totalmente integrados. Se a executiva puder fazer isso, convencerá os usuários a ficarem mais próximos de PCs e tablets Windows em vez de produtos Android ou iOS.
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