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O que é a “Platform Thinking” e como ela impactará sua estratégia de TI

“As empresas líderes de mercado devem migrar para plataformas pensando em seus modelos de negócios, mecanismos de entrega, talento e liderança para sobreviverem e crescerem”, aconselha o Gartner. A consultoria observa que as implicações da digitalização evidenciam que os modelos de negócios e operacionais estabelecidos atualmente não serão suficientes para o futuro, e que será necessária uma abordagem mais adaptável.

Dados de um levantamento junto a quase 3 mil executivos mostram que CIOs de todo o mundo esperam que a receita digital cresça de 16% para 37% do total nos próximos cinco anos. Da mesma forma, os gestores de TI do setor público preveem um aumento de 42% para 77% em processos digitais.

“Embora o significado das receitas e processos digitais estejam abertos para interpretação, os negócios digitais já demonstram ser uma realidade e espera-se que sejam um aspecto significativo para se obter vantagem competitiva e diferenciação por meio de informações e tecnologia”, aponta um relatório da empresa.

Segundo a pesquisa, no Brasil, a maior parte do trabalho de digitalização ainda se concentra em aprimorar os processos operacionais e em esforços de redução de custos devido ao atual momento econômico e político, sinalizando que um grande potencial ainda está por vir – porém não em 2016.

Alvaro Mello, vice-presidente de pesquisas do Gartner, observa que empresas e agências governamentais se parecem cada vez menos com “sistemas funcionais” fixos, e se assemelham mais a plataformas.

“Elas dão ao negócio uma base em que os recursos podem se reunir – às vezes rapidamente e temporariamente, às vezes de uma forma relativamente fixa – para criar valor para os clientes e cidadãos. Quando as empresas investem na construção de suas próprias plataformas é porque elas entenderam que também são uma empresa de software”, afirma.

O analista observa que os principais economistas têm notado o aumento da prevalência de modelos de negócios em plataforma, em que várias redes de interessados geram valor entre si, explorando os efeitos de rede.

Modelo bimodal

Em 2014, o Gartner afirmou que era essencial ter dois modos de TI, e também de empresa, para lidar com o trabalho previsível e exploratório. Dois anos depois, a consultoria constatou que, mundialmente, quase 40% dos CIOs estão na jornada bimodal, com boa parte do restante dos entrevistados planejando fazer o mesmo nos próximos três anos.

Organizações brasileiras e latino-americanas, aponta o levantamento, estão abaixo da média global: apenas 28% dos CIOs da região disseram que haviam começado o processo. Esse número é ainda menor do que os resultados do ano passado, por agora haver um melhor entendimento em torno desse conceito relevante, e sobre o que realmente significa ser bimodal.

“Não é apenas questão de ser mais rápido e implementar metodologias ágeis. Há evidências de que a construção de uma plataforma bimodal madura resulta em um desempenho de estratégia digital muito melhor, e isso justifica por que deve ser um foco importante para qualquer organização. Além disso, os dados da pesquisa sugerem que uma das piores coisas que um CIO pode fazer é atrasar o esquema bimodal”, avalia Mello.

Há correlação entre a velocidade de adoção do modelo e desempenho. Segundo o vice-presidente da consultoria, as empresas que estão planejando mover-se ao bimodal, mas ainda não tomaram as medidas necessárias, tiveram piores resultados em termos de desempenho de estratégia digital.

Plataforma de talentos

Segundo a pesquisa, 65% dos líderes globais de TI acredita que há uma crise de talentos no mundo e, surpreendentemente, pouca inovação na área. De acordo o Gartner, esse fato, de acordo com CIOs brasileiros, é ainda pior no Brasil, pois 81% acredita que a situação está perto de atingir proporções de crise.

“É hora de pensar no talento como uma plataforma e inovar. Os CIOs devem olhar para o talento digital além das fronteiras da organização de TI e, certamente, além das fronteiras da empresa”, diz Mello. “Oportunidades inovadoras de gestão de talentos são abundantes e incluem se aproximar de universidades, ajudando a definir e entregar novas soluções práticas de negócios, realizando aconselhamento reverso e implementando rotação de funções. Os CIOs também devem considerar seus parceiros como extensões do reservatório de talentos”.

Invista na liderança

A pesquisa constatou que quase 40% dos CIOs também estão atuando como diretores digitais (Chief Digital Officer – CDO), liderando a transformação em suas empresas, e mais de 30% estão atuando como líderes de inovação. Houve um ligeiro aumento (2,2 pontos percentuais) no número de CDOs em empresas brasileiras.

“Os resultados mostram que os CIOs possuem a oportunidade de liderar a transformação digital, mas que devem adaptar seu estilo de liderança para explorar efeitos de plataforma na liderança, construindo uma rede de dentro e fora da empresa”, sugere.

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