Notícias

O poder do código aberto em tempos de pandemia

Desde que passou a ser utilizada em larga escala em todo o mundo, a tecnologia se tornou uma ferramenta poderosa para a resolução de diversas questões importantes.

Soluções tecnológicas têm contribuído para a construção de cidades mais sustentáveis, minimizando impactos ao meio ambiente; ajudado a desenvolver projetos de educação e cultura que atendam um maior número de pessoa; e permitido a detecção de doenças de forma mais rápida, possibilitando um tratamento mais assertivo e aumentando as chances de cura, apenas para citar alguns benefícios.

Entre as ferramentas tecnológicas que mais têm impulsionado esse rápido avanço está o open source. A tecnologia de código aberto, que permite o desenvolvimento de diversas soluções por meio da colaboração contínua, está por trás das principais inovações disruptivas em todo o planeta.

Por sua ampla capacidade de reunir em um mesmo projeto diversos desenvolvedores e por suas premissas de cultura aberta e colaborativa, o open source também tem sido um importante aliado na luta contra o avanço do COVID-19, mais conhecido como coronavírus.

Assim que as primeiras notícias sobre a doença começaram a aparecer nos noticiários, diversas comunidades de código aberto mundo afora arregaçaram as mangas para desenvolver soluções que pudessem ajudar na rápida detecção e no combate ao alastramento do vírus.

O projeto OpenCovid19, por exemplo, trabalha na criação de uma metodologia de código aberto para realização de testes seguros para confirmação da presença do coronavírus.

Após a confirmação da pandemia, anunciada pela Organização Mundial da Saúde em 11 de março, um jovem português também reuniu centenas de especialistas para criar novos modelos de ventiladores pulmonares com tecnologia open source. Em menos de 24 horas, o projeto OpenAir já contava com cerca de 500 pessoas trabalhando em conjunto, incluindo experts de Harvard.

Outra iniciativa importante construída com tecnologia aberta é o Nextstrain, que rastreia dados do genoma de patógenos. O mapa é mais técnico e fornece informações sobre como a doença se espalhou em todo o mundo. Ele divide o genoma do vírus, mostrando como a doença viajou de país para país. Em suma, diversas comunidades de desenvolvedores estão trabalhando, de várias geografias, e colaborando para gerar novas ideias e projetos que podem surpreender, e ajudar a minimizar os impactos do vírus.

Amortizando perdas

Em um ambiente que exige respostas rápidas, globalmente escaláveis, competentes e com monitoramento e suporte permanentes, as soluções de negócios de código aberto são apresentadas como uma das opções mais viáveis.

À parte dos grandes projetos que estão contribuindo para minimizar os impactos do vírus na saúde, o uso do open source também possibilita que empresas diminuam as perdas econômicas.

De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) o rombo na economia mundial pode chegar a US$ 280 bi em decorrência do vírus. Frente a esse cenário, a comunidade empresarial permanece focada em cuidar do bem-estar de seus colaboradores e ecossistemas; ao mesmo tempo em que continua operando o negócio para atingir seus objetivos monetários.

A cultura aberta é a opção que permite que as companhias continuem trabalhando com seus times e sigam inovando, mesmo em tempos de pandemia.

Empresas que seguem as premissas da cultura open source conseguiram encontrar alternativas para continuar operando com segurança, sem interrupções, suportadas pela tecnologia e conectividade em escala global.

Isso mostra que as equipes que mantêm práticas de uma cultura aberta são naturalmente mais treinadas para reagir a medidas preventivas, como trabalho remoto, interação com clientes por meio de eventos virtuais e colaboração online, entre outras ferramentas.

O coronavírus está mudando o atual cenário mundial e só um trabalho ágil e colaborativo será capaz de frear sua evolução. O open source se mostra como a opção mais viável neste momento em todas às frentes, funcionando como base para o desenvolvimento de tecnologias econômicas, sociais e voltadas à saúde.

E o poder do código aberto que se destaca em meio a pandemia, a fim de contribuir para que o planeta, pouco a pouco, volte aos eixos.

*Paulo Bonucci é general manager LATAM da Red Hat, líder mundial em soluções open source

Recent Posts

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

6 horas ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

8 horas ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

9 horas ago

Chatbots de bancos e fintechs não entendem as emoções dos clientes, aponta estudo

A evolução da inteligência artificial nos serviços financeiros ainda esbarra em desafios relacionados à experiência…

9 horas ago

Motorola Solutions compra D-Fend por US$ 1,5 bilhão

A Motorola Solutions anunciou a assinatura de um acordo definitivo para adquirir a D-Fend Solutions,…

9 horas ago

Meta amplia controle para adolescentes

Nesta terça-feira (2), a Meta anunciou a expansão global de configurações de conteúdo para contas…

13 horas ago