Outra Consumer Electronics Show (CES 2013), outro ciclo de campanhas publicitárias. Neste ano, o foco são dispositivos conectados a rede, que recebeu seu próprio grupo de internet na forma do Internet of Things Consortium. (Consórcio Internet das Coisas, em tradução livre, e IoTC, da sigla em inglês).
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Tenha medo. As tendências nascentes da feira revelam a falta de inovação muito mais do que a próxima grande coisa. Ano passado, tivemos o ano do ultrabook na CES. Mas não foi. As vendas de computadores caíram 7% em 2012, de acordo com a IDC. Antes disso, havia sido o ano do tablet, mas somente o iPad, da Apple, que realmente vendia. A CES 2012 trouxe ainda as televisões 3D. Eu achei essa uma péssima ideia no momento em que vi, e agora outros compartilham da opinião.
Mas a Internet das Coisas ? trazendo objetos capazes de acessar à internet e a dar informações ? é uma aposta melhor do que as TVs de terceira dimensão. É inevitável e já está se manifestando de muitas formas. Esta evidente no tráfego de dados vindo de telefones móveis, por exemplo. É a próxima grande coisa porque já está acontecendo.
Mas na pressa para conectar objetos físicos, é arriscadamente ignorando o retorno de nossos investimentos e os custos envolvidos.
Vamos começar com um alvo fácil, o refrigerador inteligente da Samsung. Ele não é inteligente, e por US$ 3,7 mil não é muito pagável. É uma geladeira com uma tela sensível ao toque acoplada, algo que poderia ser entregue com um iPad mini… caso preferisse, poderia colocar seu tablet preferido em um balcão próximo.
A Samsung sugere aos clientes quão inútil esse produto é: ?cheque o tempo pela manhã, navegue pela internet em busca de receitas, explore das redes sociais ou deixe recados para sua família ? tudo isso a partir da porta de uma geladeira?. Nenhuma dessas opções representa a função primária do produto, que é a de armazenar comida perecível. Todas essas opções poderiam ser completas por meio de um smartphone ou um recado em um Post-it ? quem sabe ainda através da miraculosa fala humana.
É possível imaginar como um refrigerador inteligente pode ser útil, se ele pudesse, digamos, avisá-lo que é hora de comprar mais leite quando você estiver perto de um mercado no caminho para sua casa. Mas seria necessário pelo menos um sistema sofisticado para acessar o volume de leite na geladeira e comunicar essa informação em tempo otimizado.
Melhor confiar em uma pessoa inteligente do que em um dispositivo inteligente. As pessoas são extraordinariamente bem equipadas para acessar o que há em uma geladeira ? olhe, estamos com pouco leite! ? e comprar mais quando necessário, sem a necessidade de uma conexão com a internet. Clientes não precisam das capacidades de averiguação de inventário do Walmart, por exemplo.
Além do mais, pessoas precisam verdadeiramente de algo que ajude a administrar suas vidas. Ao terceirizar sua atenção para sensores conectados à Internet das Coisas, as pessoas correm o risco de se render à sua competência core: se engajar com o mundo real.
Mais do que isso: devemos ser cautelosos em ?fetichizar? os dados. Se você precisa deles para tomar decisões, você precisa coletá-los por todos os meios para agir. Mas se você tem um aquecedor inteligente e sua casa está muito gelada, o que compensa mais? Comprar uma blusa de R$ 50 ou gastar R$ 200 a mais de eletricidade para adequar a temperatura?
Isso não é dizer que a Internet das Coisas é uma má ideia. É exatamente o oposto. Mas em uma entrevista por telefone, Jason Johnson explicou que o IoTC não pretende criar coisas que sejam conectadas à rede, algo que pode gerar mais desastres de negócios do que diamantes. Em vez disso, pretende promover o compartilhamento de dados e o desenvolvimento de APIs para analisar tendências de negócios.
?Quando você tem uma companhia fazendo coisas realmente boa, é muito importante que outros possam interagir com aquele produto em uma via de mão dupla, o que significa dizer que as companhias não conseguem fazer as coisas sozinhas?, disse Johnson. O executivo citou Sonos e Logitech como exemplos de companhias fazendo dispositivos que conversam bem com outros produtos. Esta é uma rejeição implícita a companhias que buscam ser os donos das plataformas. Coisas em rede deveriam ser baseadas em padrões abertos, em vez de possuírem conectividade baseada em licença. E para estender a agenda de vantagens do IoTC, isso deveria ser discutido.
Mas só pelo fato de que você pode conectar seu dispositivo, roupas ou garfo não significa que você deva fazê-lo, não somente porque supervisão humana muitas vezes é mais do que o monitoramento mecânico, mas porque alguns dos benefícios potenciais de objetos conectados à internet são obscurecidos por custos ainda maiores.
Você já excedeu o limite de velocidade, permaneceu em uma vaga por mais tempo do que tenha pagado e quebrou outras regras em um nível menor? Você gostaria de pagar por essas infrações? Quando tudo estiver conectado, nada mais poderá ser escondido, particularmente quando a exposição se traduzir em receita para governo, agências empresas ou empreendedores. Uma empresa de seguro pagaria para saber se um cliente de seguro-saúde mantém somente comidas não saudáveis em sua geladeira, e, desta forma, para mitigar os custos com o cuidado de doenças relativas a esse comportamento cobrar preços maiores pelo seu serviço? Conte com isso. Este é o mundo que a Internet das Coisas torna possível.
Mas não precisa ser desta forma. Ter um carro com capacidade de acesso à internet não deveria significar que as forças da lei terão apoio para seguir o seu comportamento remotamente. Não deveria significar que o modo como você dirige será coletado para testemunhar contra você. Não deveria dizer que sensores de qualidade na sua casa ou sensores químicos em tubulações de esgoto deveriam avisar autoridades quando substâncias controladas são detectadas.
Tenha medo da Internet das Coisas, porque coisas não são a mesma coisa que amigos. Mas sejam aberto a coisas que possam ser domesticadas.
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