http://www.youtube.com/watch?v=WibmcsEGLKo
Sinto muito, mas eu não quero ser um imperador ? esse não é o meu negócio – eu não pretendo governar ou conquistar ninguém. Gostaria de ajudar a todos, se possível, judeus, gentios, negros, brancos. Nós todos queremos ajudar uns ao outros, os seres humanos são assim.
Nós todos queremos viver a felicidade uns pelos outros, não pela miséria do outro. Nós não queremos odiar e desprezar uns aos outros. Neste mundo há espaço para todos e a terra é rica, pode dar a todos.
O caminho da vida pode ser livre e belo.
Mas nós perdemos o caminho.
A cobiça envenenou a alma dos homens – criou no mundo uma barreira de ódio; colocou-nos na miséria com derramamento de sangue.
Nós desenvolvemos a velocidade, mas nos sentimos enclausurados nela: máquinas que produzem abundância, tem nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos, nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos pouco: Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será violenta e tudo estará perdido.
O avião e o rádio nos aproximaram. A própria natureza dessas invenções clama pela bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós. Mesmo agora, minha voz chega a milhões em todo o mundo, milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Para aqueles que podem me ouvir eu digo: “Não se desespere”.
A desgraça que tem caído sobre nós não é senão da ganância, do azedume dos homens que temem o avanço do progresso humano: o ódio dos homens passará e ditadores morrem, o poder que tiraram ao povo irá retornar ao povo, e enquanto os homens morrem [agora] a liberdade nunca perecerá…
Soldados – não se dêem aos brutos, homens que desprezam vocês e os escravizam – que arregimentam as vossas vidas, dizem o que fazer, o que pensar e o que sentir, que os digerem, que tratam o como gado, como carne para canhão.
Não se dêem para esses homens artificiais, homens-máquina, com mentes e corações mecanizados. Vocês não são máquinas. Vocês não são gado. Vocês são homens. Você tem o amor da humanidade em seus corações. Vocês não odeiam – apenas o não amado odeia. Somente os não-amados e não-naturais. Soldados – não lutem pela escravidão, lutem pela liberdade.
No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito “o reino de Deus está dentro do homem” – não um homem, nem um grupo de homens – mas em todos os homens – em vocês, o povo.
Vós, o povo, tem o poder, o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade. Vós, o povo, tem o poder de tornar a vida livre e bela, de fazer desta vida uma aventura maravilhosa. Então, em nome da democracia, vamos usar esse poder – vamos todos nos unir. Lutemos por um mundo novo, um mundo decente que vai dar aos homens a oportunidade de trabalhar, que lhe dará o futuro, longevidade e segurança. É pela promessa de tais coisas que os desalmados têm subido ao poder, mas eles mentem. Eles não cumprem suas promessas, jamais o farão. Ditadores libertam-se, porém escravizam o povo. Agora vamos lutar para cumprir essa promessa. Lutemos agora para libertar o mundo, para acabar com as barreiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e intolerância. Lutemos por um mundo de razão, um mundo aonde a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos os homens.
Soldados – em nome da democracia, vamos todos nos unir!
Esse discurso, belíssimo discurso, faz parte do filme “O Grande Ditador” de Charles Chaplin, lançado em 1941 (70 anos atrás). Um dos poucos filmes falados do grande mestre do cinema mudo.
Para quem nunca viu, Chaplin representa dois personagens nesse filme, um ditador parecido com Adolf Hitler e um barbeiro, que no final do filme substitui o ditador após uma série de acidentes bizarros. É o barbeiro que faz esse discurso.
O vídeo em anexo é uma edição livre encontrada no youtube, mas é fácil encontrar a versão original e talvez em um cantinho da sua locadora vocês encontrem o DVD inteiro para ver. O Youtube, uma maravilhosa ferramenta de compartilhamento de vídeos, tem esse lado lúdico de trazer memórias a tona. Memórias essas que a maioria dos jovens não conhece, não viveu, nem sabe que existiu. Em tempos de marchas minguadas contra a corrupção, é bom dar uma olhadinha no passado.
(NOTA DO AUTOR: a tradução do discurso foi adaptada por mim, é possível que não esteja perfeita).
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