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O desafio de ser mulher no setor de segurança cibernética

O aumento dos ataques cibernéticos tornou o campo de segurança um dos que mais crescem na área de tecnologia. No entanto, estima-se que a escassez de profissionais com habilidades suficientes para atuar nesse campo chegue a quase 3 milhões de postos em todo o mundo. Regiões como a Ásia e Pacífico sofrem mais pela falta de profissionais, enquanto na América Latina a lacuna de demanda a ser preenchida é próxima a 136 mil profissionais.

O déficit de especialistas neste campo está aumentando e coloca em risco mais empresas e organizações, deixando-as vulneráveis a um possível ataque. Com relação a esse ponto, acrescenta-se que estudos publicados recentemente, que analisam a segurança cibernética no setor público de vários países do mundo, mostraram que 88% das organizações públicas sofreram pelo menos um dano resultante de um ataque cibernético nos últimos dois anos.

Olhando para o papel das mulheres no campo da segurança, embora haja atualmente pouca representação de gênero, as previsões dizem que em 2019 a força de trabalho feminina na área chegará a 20%, comparado a 11% em 2017. Mesmo com os números em ascensão, a falta de profissionais com habilidades suficientes para enfrentar a realidade do mercado de segurança cibernética, com escassez de mão de obra feminina, é um problema mundial. O Reino Unido é o país que apresenta a maior porcentagem e diferença salarial, onde as mulheres representam 8% da força de trabalho em segurança cibernética e ganham 16% menos do os homens.

À luz da realidade descrita, as diferenças de gênero no setor são muitas e não é por acaso que eventos, programas e fundações devem existir para promover a participação de mulheres na área. Além de ser importante analisar se nossa opinião é valorizada da mesma forma que a de um homem, se temos os mesmos salários ou se uma mulher é respeitada quando está em um posto de comando, há uma realidade que não podemos negar: há um problema mais profundo no mercado e que é estrutural. Atualmente, há muito menos mulheres que estudam carreiras técnicas.

Por outro lado, os ventos da mudança são vistos e a própria comunidade está aprendendo a identificar e repreender indivíduos e organizações que se comportam de maneira antiética com relação às mulheres. Não é suficiente simplesmente contratar mulheres se elas trabalharem em ambientes hostis, onde a regra geral é considerá-las inferiores, com menos remuneração e sendo objeto de assédio por parte de seus pares.

Para concluir, e levando em conta que esse mês é comemorado o Dia Internacional da Mulher, discutir o tema ajuda a lembrar aquelas mulheres que moldaram com seu trabalho, às vezes sem o reconhecimento necessário, o que hoje chamamos ciência. Muitas vezes as meninas e as jovens mulheres hesitam em se envolver em áreas da tecnologia, como a segurança cibernética, porque encontram obstáculos simplesmente por sua condição de serem mulheres, mas mostram resultados excelentes e inquestionáveis quando chegam a posições de liderança ou de pesquisa ou desenvolvimento.

*Cecilia Pastorino é especialista em segurança da informação da ESET América Latina

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