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O desafio da revolução digital

Fotografia: um mercado cor-de-rosa

Uma história que os executivos da Kodak-sim, ela de novo-não se cansam de contar é sobre o que aconteceu com o mercado fotográfico nos idos dos anos 1980, quando as câmeras de vídeo se tornaram populares. Muitos temiam um declínio no consumo e processamento de filmes fotográficos, mas o que acabou acontecendo foi justamente o oposto. A explicação? Ao adquirem suas filmadoras, os “homens da casa” (que normalmente são os primeiros a se interessar pelas novas tecnologias) deixaram as câmeras fotográficas de lado. Só que, em vez de ficarem encostadas em um canto, elas foram adotadas pelas mulheres-em especial as mães de filhos pequenos, que atualmente se sabe que são os melhores consumidores que uma empresa de fotografia pode ter.

Além de registrarem todos os passos das crianças (existem pesquisas que mostram até o aumento do número de fotos tiradas de acordo com a presença e quantidade de filhos em casa), o segmento de mercado que nos Estados Unidos é conhecido como “soccer moms” ainda permite que os filhos usem a câmera-algo raro entre os pais, tipicamente mais ciumentos com seus equipamentos eletrônicos. E por falar neles, os homens logo se cansaram das câmeras de vídeo-que naquela época eram pesadas, pouco práticas e, como hoje, produziam filmes a que poucos tinham paciência de assistir-e decidiram retornar à fotografia, comprando câmeras novas (pois as mulheres haviam se apoderado das antigas). Resultado: aquilo que fora visto como uma ameaça, acabou se mostrando muito positivo para o mercado-o público feminino acabou respondendo por aproximadamente 70% da utilização das câmeras fotográficas convencionais.

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O que isso tem a ver com a fotografia digital? É que em 2003, além de alcançarem (nos Estados Unidos) o status de produto de consumo de massa, com penetração em 31% dos lares (e previsão de chegarem a 42% até o fim de 2004), as câmeras digitais finalmente começam a ser mais usadas pelas mulheres, que já são as principais usuárias de 53% das câmeras com menos de um ano e 52% daquelas entre um e dois anos. Sua participação cai para 48% e 46% nas câmeras entre dois e três e acima de três anos, respectivamente, mas como as vendas de câmeras digitais vêm crescendo em ritmo muito alto nos últimos anos, é possível afirmar que as mulheres já são as principais fotógrafas digitais. A transição não foi por acaso: como aconteceram com as filmadoras, as câmeras digitais tiveram seu período de adoção inicial entre o público masculino, mas ao conquistarem as massas se tornaram mais populares no público feminino, que a PMA chama de “as guardiãs dos álbuns fotográficos”. Público este que tira mais fotos, imprime mais fotos e tende a preferir fazê-lo nos “laboratórios” tradicionais, sem precisar lidar com os nossos imprevisíveis computadores e impressoras, para felicidade dos empresários do setor.

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Esses empresários, tanto no exterior quanto no Brasil, vêm tentando descobrir maneiras de conquistar uma fatia do promissor mercado de impressão de fotos digitais-seja em redes de lojas de fotografia já existentes, pela Internet, ou em quiosques de auto-atendimento nos mais variados pontos-de lojas de conveniência a academias de ginástica. Como orienta o relatório “Vendendo no Varejo na Era Digital”, da PMA, “os varejistas tem que criar demanda para impressão nas lojas. Eles precisam mostrar agressivamente aos consumidores que podem imprimir fotos convenientemente nas lojas pelo mesmo preço que em casa, se não mais barato; e devem se concentrar em oferecer o que os consumidores não têm em casa-retoques, presentes fotográficos, melhorias na imagem, etc”. Quem ganha com isso somos nós, consumidores, que vemos os preços caírem, realmente menores do que a opção de imprimir em casa, e as alternativas de impressão se multiplicar.

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