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O caminho para a terceira geração da telefonia móvel

A prestação de novos serviços por conexões mais rápidas e do melhor aproveitamento do espectro é o grande mote da terceira geração da telefonia celular (3G). Protelado por várias vezes, o edital saiu na semana seguinte à posse de Ronaldo Sardenberg como presidente da Anatel, mas a consulta pública trouxe surpresas.

Com o intuito de ampliar a cobertura do serviço móvel, a Agência quer exigir das operadoras a disponibilidade do serviço 3G até em cidades com menos de 30 mil habitantes. “O objetivo principal é que haja telefonia móvel em todos os municípios pequenos, mesmo que não sejam economicamente viáveis para as operadoras”, afirma o conselheiro da Anatel José Leite Pereira Filho, relator do edital de licitação.

Foi criado também um “compromisso de abrangência” para garantir que as regiões Norte e Nordeste não fiquem sem 3G. Pelas regras do leilão, a operadora que quiser adquirir freqüências na região metropolitana de São Paulo terá, obrigatoriamente, de comprar faixas nestas regiões.

Além disso, a Anatel não indicou os valores das licenças e nem tem se pronunciado sobre o assunto, gerando apreensão sobre o tamanho do investimento a ser realizado pelas operadoras (o edital foi anunciado pela anatel na última quinta-feira, 18/10, e o valor dos 36 lotes é de R$ 2,8 bilhões) . O presidente da Claro, João Cox, avalia que a questão central é a rentabilidade sobre as vendas, por conta das exigências com relação à cobertura do serviço. Porém, Cox, não deixa de ver na terceira geração uma oportunidade para a competição. “Eu acredito que com a 3G será criado um novo patamar, e haverá espaço para a redução de tarifas”, diz, referindo-se ao ganho de produtividade que as operadoras terão com a capacidade de transmitir maior quantidade de informação em um mesmo canal por meio das faixas de freqüência de 1,9 MHz e 2,1 MHz.

Diego Bubillo, da Signals Consulting, acredita que o crescimento das receitas das operadoras com serviços de dados por conta da 3G deva ser limitado. “A 3G tem muito marketing e publicidade, mas o usuário continua é querendo falar, mandar SMS. Principalmente, no mercado latino-americano, no qual o custo é um fator importante para o uso”, opina.

Para André Sciarotta, analista da Frost & Sullivan, o incremento de receitas só deve vir a longo prazo. “A mudança para a 3G demanda mudar aparelhos e a migração de clientes dos planos pré-pagos para pós-pagos”, avalia. “Mas, se as operadoras não comprarem as licenças agora, vão perder o momento, até porque outros países da região estão entrando na terceira geração”, completa.

Alguns analistas acreditam que possa haver contestações legais ao edital que a Anatel, o que retardaria mais um pouco o leilão. Mas a pressão dos fabricantes deve influenciar para que este adiamento não aconteça ou demore o mínimo possível. “Se a 3G não sair, a indústria vai ficar sem o que vender. As migrações e atualizações de rede já aconteceram”, comenta Luís Minoru Shibata, do Yankee Group .

De acordo com projeções da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o faturamento da indústria de telecomunicações em 2007 deve se manter estável frente aos R$ 16,7 bilhões de 2006, depois de uma queda no primeiro semestre, e de uma melhoria no segundo por conta de investimentos como a rede 3G em 850 MHz da Claro.

Esta é a sexta de uma série de nove matérias que o IT Web publica até 25 de outubro. O especial integra a reportagem de capa da edição 191 de InformationWeek Brasil.

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