O aquecimento da economia x o aquecimento do setor de distribuição

 

 

Por Alberto Rodrigues*

Historicamente, o segundo semestre do ano costuma ter resultados 20% maiores que os primeiros seis meses do ano, isso porque quando se iniciam as compras do Natal e quando o Governo, após momento de transição, volta a comprar. Em 2011, a expectativa do mercado é que os resultados para este terceiro e quarto trimestre fiquem dentro dessa porcentagem, mas a tendência é diminuir, devido a inflação, que está desaquecendo a economia mundial, como temos acompanhado nos noticiários.

É verdade que o Brasil se mantém um pouco distante desse cenário, principalmente porque o país tem funcionado como uma válvula de escape para fabricantes de TI de todo o mundo. Grandes players mundiais têm forçado o poder de consumo brasileiro quando, por exemplo, trazem para cá novos produtos com preços mais competitivos. Mas todas essas ações têm apenas um intuito: fortalecer o crescimento e aumentar a visibilidade local, além claro, de possibilitar, cada vez mais, o desempenho do país. Mas pode ser que o semestre não feche em 20%.

Para exemplificar o que comentamos acima, podemos falar da Microsoft. A marca acaba de anunciar uma fábrica no Brasil para produção de um dos seus produtos, o Xbox. Se comparado com o preço anterior, que era de mais de R$ 1.000, hoje a produção local permitirá que o valor fique em torno de R$ 700 para o consumidor final, com jogos a partir de R$ 69. Com isso, a empresa espera que a venda dele no Brasil, a partir de agora, seja, pelo menos, de até cinco vezes maior que antes.

Além desse exemplo, temos ainda diversas outras empresas de tecnologia que estão preferindo fabricar no Brasil. Em nenhum momento, pudemos ver tantos fabricantes olhando para cá. Outro caso que podemos visualizar já nas grandes redes de varejo são os custos para compra de notebooks. Hoje, é possível adquirir um a partir de R$ 800,fruto da indústria, que trouxe opções baratas e que se adequam ao poder de consumo local.

Em geral, podemos perceber que fabricantes que já estão aqui ou os que ainda têm presença tímida não estão medindo esforços para investir no Brasil. O nosso poder de consumo somado aos preços competitivos, tem sido visto como um dos pilares para fazer valer essa aposta.

 

* Alberto Rodrigues é Vice-Presidente da ABRADISTI 

 

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