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Novos analfabetos surgem graças à disrupção digital

A palavra “disrupção” pode ser pesada e até soar como um xingamento e, quando complementada pelo substantivo “digital”, entende-se que o apocalipse está para acontecer muito em breve. Mas, calma, o fim do mundo pode acontecer mesmo para quem ignorar esta transformação que tem acontecido nos últimos anos e atingido cada vez mais empresas/modelos de negócios.

Quando afirmamos que novos analfabetos estão surgindo graças à esta transformação na sociedade é necessário dar uma passo atrás para entender quantas empresas nascem e quantas morrem antes de completar cinco anos de vida. Além disso, qual é o perfil desta empresa e do empreendedor? Queria ele empreender apenas por necessidade, frente ao número recorde de desempregados que temos hoje em nosso país? Com muitos recém-formados tentando, sem sucesso, ingressar no mercado de trabalho, o micro empreendedorismo surge como saída para contornar este cenário, sendo uma esperança para mudar de vida com um negócio próprio.

Porém, mesmo sabendo que, atualmente, não existe uma ideia de negócio sem o uso dos meios digitais e das redes sociais, muitos deles “mergulham” nesse mundo digital sem nem ao menos ter conhecimento de qual caminho seguir para alcançar o sucesso. Em consequência disso, para se ter uma ideia, 60% dos negócios fecham as portas antes mesmo de completarem cinco anos e, um dos principais motivos, está ligado diretamente à falta de qualificação. Não estamos falando de pós-graduação, MBA em Administração ou Marketing, mas sim em saber empreender digitalmente, sem importar o ramo de atividade desta empresa.

Empresas como Youtube e Netflix, por exemplo, foram desacreditadas no passado, simplesmente por acreditarem que poderiam transformar negócios existentes. Locadoras e produtoras não existem mais e as marcas desacreditadas faturam bilhões. Qual foi o segredo dos fundadores dessas empresas? Souberam implantar o modelo de negócio para o formato digital.

Quem nunca baixou um aplicativo para pedir o almoço em casa quando estava com fome? Ou usou o celular para contratar serviços de entrega via motoboy? Hoje, tornou-se comum escutarmos histórias de empreendedores que encontraram o sucesso por meio de negócios digitais em diversos segmentos, como: transportes, alimentação, saúde, mobilidade, pets, entre outros.

Mesmo com ideias inovadoras e com potencial para alcançar o sucesso – já que as pessoas estão cada vez mais ligadas nas novidades do mercado, bem como nas possibilidades de empreender -, os modelos de negócios até saem do papel mas, em um determinado momento, ficam estagnados. Para reverter essa situação, é necessário investir em um conhecimento prévio para se tornar um empreendedor digital e, mais do que isso, é preciso saber a fórmula correta para o negócio não se perder no meio do caminho, diante de tantas tecnologias e inovações.

E por falar em educação, as universidades que se cuidem, pois cada vez mais surgem Edtechs – startups de educação que utilizam os meios digitais para transmitirem o seu conteúdo. As instituições precisam se reinventar e seguir os avanços tecnológicos, proporcionando uma metodologia diferente, onde grandes nomes de sucesso em determinados setores, por exemplo, tornem-se professores da instituição – seja de forma online ou presencial. Para ensinar a empreender, é preciso fugir do modelo de ensino tradicional e proporcionar aos empreendedores em formação novas formas de aprendizado, com uma proposta muito mais conectada ao mercado, e cursos voltados especificamente para quem quer abrir negócios online

Portanto, já é possível entender que quem deseja ser um empreendedor, precisará investir em cursos de especialização neste setor antes de colocar a “mão na massa”. Enquanto empresas nascem e crescem no Brasil, focadas no digital, outras morrem justamente por ignorar esta tal de disrupção. Quanto empresas quebrar, mais analfabetos irão surgir.

* Bruno Pinheiro é empreendedor e CEO da Be Academy

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