Por Felipe Gonzales
Imagine que você pergunta para uma IA: “Como faço para o queijo não escorregar da pizza?”. Em vez de sugerir técnicas tradicionais, como ajustar a temperatura do forno ou mudar o tipo de queijo, a resposta é: “Use cola!”. Essa sugestão absurda aconteceu porque a IA se baseou em um comentário irônico do Reddit, sem discernir entre uma sugestão válida e uma piada. E é exatamente por isso que precisamos discutir como utilizar a IA corretamente.
No SXSW 2025, acompanhei o painel “Safe Prompting: Emerging Gen AI Best Practices for Creatives”, com representantes de empresas como Google, Salesforce, Ad Council e Partnership on AI. O debate trouxe reflexões profundas sobre como a IA está impactando a criatividade e o trabalho – e, principalmente, como devemos usá-la de maneira estratégica.
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“Se você confia no seu time, ele usará IA com mais inteligência.” – Laurie Keith, do Ad Council, apresentou um estudo revelador: profissionais que se sentem seguros e confiantes em seus ambientes de trabalho são 50% mais propensos a utilizar IA de maneira eficaz. Isso reforça que, mais do que simplesmente fornecer ferramentas, é essencial criar um ambiente que incentive a experimentação e o aprendizado.
“Se entra lixo, sai lixo.” – Madhulika Srikumar, do Partnership on AI, destacou a importância da curadoria de dados. Sem informações de qualidade, não importa a sofisticação da IA – os resultados serão imprecisos e, em alguns casos, até absurdos (como recomendar cola na pizza). O alerta é claro: a IA só será tão boa quanto os dados que a alimentam.
“Estamos sobrecarregando os funcionários com ferramentas de IA, e não aliviando a carga de trabalho.” – Reena Jana, do Google, trouxe um dado preocupante: 77% dos funcionários afirmam que a IA está adicionando mais tarefas ao dia a dia, em vez de reduzir. Isso revela um problema de implementação: quando mal planejada, a IA pode acabar gerando mais trabalho, em vez de aumentar a eficiência.
A grande conclusão é que IA não substitui a inteligência humana – ela potencializa. Criatividade já não é sobre ter todas as respostas, mas sim sobre fazer as perguntas certas.
Como líderes e profissionais, precisamos garantir que estamos ensinando nossas equipes a extrair o melhor da IA sem transformá-la em mais uma distração improdutiva.
Então, fica o desafio: estamos realmente aproveitando o que a IA tem a oferecer ou apenas adicionando mais tarefas sem propósito?
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