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Será que cientistas usam a mesma internet que você?

O Brasil possui uma das internets mais lentas e caras do mundo. Uma pesquisa do professor Samy Dana, da FGV, em parceira com o aluno de economia da UFV-MG, Victor Candido, chegou à conclusão de que o brasileiro precisa trabalhar 5,01 horas por mês para pagar uma conexão de apenas 1Mbp/s. Agora imagine se universidades e institutos de pesquisa ficassem sujeitos aos provedores e datacenters comerciais.

Como solução, mais de 1.200 campi pelo país estão conectados pela rede Ipê, uma infraestrutura de alta performance desenvolvida pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Essa rede ainda permite que as instituições clientes utilizem serviços de gestão de identidade e hospedagem estratégica exclusivos, que funcionam como agentes catalisadores de avanços em pesquisas. 

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Confira alguns exemplos de inovação aproveitadas pela comunidade científica e acadêmica brasileira:

1 – Comunidade Acadêmica Federada (CAFe): permite aos colaboradores das instituições clientes acessarem diversos serviços – como tutorias a distância, consulta a periódicos e atividades colaborativas – usando apenas o login e senha do próprio instituto, o que evita a criação de múltiplas credenciais. Isso acontece porque a CAFe é uma federação de identidade que reúne as instituições de ensino e pesquisa brasileiras, com o repositório de dados centralizado e mantido pela RNP, estando as bases de usuários sob a responsabilidade de cada participante. Saiba mais em: https://www.rnp.br/servicos/servicos-avancados/cafe.

2 –  Infraestrutura de Chaves Públicas para Ensino e Pesquisa (ICPEdu): provê uma base pronta para a emissão de certificados digitais e chaves de segurança para as instituições clientes. Funcionam como assinaturas eletrônicas para serviços e são reconhecidos por todos os navegadores web. Assim, passam a ter mais credibilidade em processos administrativos, economizando recursos financeiros, além de garantir a autenticidade e segurança relacionada às instituições beneficiadas. Saiba mais em:https://www.rnp.br/servicos/servicos-avancados/icpedu.

3 – Education Roaming (eduroam) – oferece acesso à internet wireless sem a necessidade de múltiploslogins e senhas, de forma simples, rápida e segura. Por meio de uma rede Wi-Fi de alta velocidade, estudantes, pesquisadores, professores e colaboradores cadastrados podem se conectar à internet em qualquer localidade do mundo, desde que contem com pontos de acesso do eduroam. Saiba mais em:https://www.rnp.br/servicos/servicos-avancados/eduroam. 

4 – Internet Data Center (IDC) – disponibiliza um ambiente seguro e com alta disponibilidade para abrigar serviços estratégicos ao sistema nacional de ciência, tecnologia, educação, saúde e cultura, por meio de um serviço de colocation. O IDC oferece também em sua localidade um ambiente propício para troca tráfego com os principais backbones comerciais e federais do país, o que garante facilidade de acesso aos serviços hospedados. Saiba mais em: https://www.rnp.br/servicos/servicos-avancados/idc.

Para o então diretor-adjunto de Gestão de Serviços, Antônio Carlos Fernandes Nunes, os serviços e a infraestrutura disponibilizada pela RNP permitem que universidades e centros de pesquisa deixem de gastar milhões de reais em certificação digital, organizem suas bases e processos de gestão de identidade, com reflexo na ampliação da mobilidade e na independência geográfica para usuário, além da hospedagem de serviços críticos para todo o sistema. “Com essas facilidades, as instituições podem otimizar e priorizar seus recursos em pesquisa e inovação”, avalia.

Plataforma Fibre
Outros desses serviços é a plataforma Fibre (Future Internet Brazilian Environment for Experimentation) para experimentos em Internet do Futuro.

Em todo o mundo, pesquisadores estão em busca de uma Internet do Futuro, que proponha arquiteturas alternativas. Para realizar experimentos, parte da infraestrutura da internet pode ser usada como plataforma para testes (testbeds). “Construímos redes sobrepostas, isoladas da rede em produção, para experimentar novas ideias nesse ambiente”, explica Iara Machado, diretora-adjunta de Internet Avançada da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

O ambiente Fibre funciona como um laboratório virtual em larga escala e é formado por uma federação de 11 ilhas de experimentação, abrigadas em universidades e instituições de pesquisa brasileiras.

A plataforma está disponível remotamente para qualquer universidade, instituição, empresa ou laboratório, professores e alunos de computação, no Brasil e na América Latina, que estejam interessados em Internet do Futuro e em contribuir para a evolução da rede. “Estamos trabalhando com os professores para que eles usem a ferramenta junto aos alunos”, revela Iara Machado.

A Fibre é resultado de um projeto coordenado entre Brasil e União Europeia desde 2010 para Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A plataforma Fibre será uma das infraestruturas de experimentação adotadas pelo projeto Futebol (Federated Union of Telecommunications Research Facilities for na EU-Brazil Open Laboratory). Com início em março próximo, o trabalho conta com a participação do Trinity College, da Irlanda, da Bristol University, do Reino Unido, e das universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS), Espírito Santo (Ufes), Minas Gerais (UFMG), Ceará (UFCE) e estadual de Campinas (Unicamp), além das empresas Digitel e Intel Brasil. O objetivo é construir uma plataforma experimental para explorar a integração entre redes ópticas e redes sem fio.

Mais informações sobre como participar: www.fibre.org.br

 

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cristina.deluca
10 anos ago

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