O presidente da Vivo, Roberto Lima, usou sua participação na Futurecom nesta quarta-feira (29/10) para traçar um possível cenário pós-crise. De acordo com o executivo, o momento vivido hoje no mundo pode representar a ruptura da sociedade industrial e o início da era do conhecimento.
“O setor de telecomunicações teve participação na construção desta crise. Foi que ele que permitiu que transações fossem realizadas com maior velocidade e isso aconteceu antes que os órgãos reguladores estivessem prontos para lidar com esta velocidade”, disse.
Negando que o neoliberalismo tenha morrido, Lima afirmou que o intervencionismo estatal não será capaz de solucionar a crise, ao contrário. “Temos que nos acostumar a viver sem controle. As regras serão cada vez menos eficazes e a responsabilidade de cada indivíduo será cada vez maior”, comparou.
O executivo citou o que considera as duas mais prováveis conseqüências da crise: redução de liquidez e de capital disponível para investimento; e a conseqüente necessidade de realocação dos investimentos em projetos cujos resultados se apresentam em longo prazo.
De todo modo, o executivo ressaltou que o momento não é de todo ruim. “Esta crise pode representar uma oportunidade para o Brasil, mas para emergir dela com potência o país precisa estar pronto para atuar na sociedade do conhecimento”, afirmou. Para ele, o ponto básico desta estratégia estaria na criação de uma nova estrutura de ensino.
Lima concluiu sua apresentação afirmando que o setor de telecomunicações tem muito a contribuir neste sentido. “Nosso setor deve trabalhar em uma agenda possível para este momento. Ela deve envolver universalização de acesso ao conhecimento, mudanças no quadro regulatório e a redução do custo Brasil”, disse.
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