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Pablos Holman: desperdiçamos a primeira onda da IA, mas há tempo de virar o jogo

A inteligência artificial (IA) não é problema é instrumento. Para o futurista Pablos Holman, o desafio está em como a humanidade escolhe usá-la. Na abertura do 3DExperience World 2026, em Houston*, nos Estados Unidos, a provocação foi sobre como o mercado está desperdiçando o potencial da IA ao aplicá-la em usos triviais e narrativas alarmistas. “Estamos nos assustando com histórias malucas e usando IA para as coisas mais idiotas que conseguimos imaginar. Este é o momento de corrigir o rumo”, afirmou, ao defender a tecnologia como alavanca concreta para enfrentar problemas reais e globais.

O autor do best seller “Deep Future – Creating Technology that Matters” compartilhou sua visão positiva sobre inteligência artificial e como a tecnologia atua na resolução de problemas globais, como a erradicação de doenças e a otimização do uso de recursos. Também discutiu o futuro da humanidade, enfatizando a necessidade de uma visão de longo prazo com relação aos avanços tecnológicos.

“A inteligência artificial é uma ferramenta para os humanos construírem um futuro melhor. Isso já está acontecendo agora”, afirmou. Na prática, explicou o futurista, a lógica por trás da IA já sustenta projetos extremamente complexos. Aeronaves hipersônicas, foguetes e até veículos como os da Tesla são concebidos, testados e levados ao limite primeiro no software, com milhares de simulações de falhas, antes que qualquer protótipo exista no mundo real.

Leia também: Estratégias distintas de M&A no mercado de tecnologia

Diferentemente do passado, quando a NASA precisou literalmente explodir foguetes para aprender a chegar ao espaço, empresas como a SpaceX hoje erram menos no mundo físico porque testam exaustivamente no ambiente digital.

Os exemplos de aplicação de IA em ambientes de testes antes do ‘mundo real’ também incluem de reciclagem a modelos computacionais de IA que testam dietas por meio de software. Serve também para medicamentos ou reatores de fusão.

Para ele, a construção de IAs deve estar voltada para a ciência, para a engenharia e “para criar as tecnologias que importam para resolver os problemas que queremos solucionar”, conforme Holman enfatizou. Para tanto, já está disponível o conjunto de ferramentas “mais avançado de todos os tempos, com o maior número de pessoas, e as pessoas mais educadas, com o maior conhecimento e a maior experiência, além do maior investimento”. É, resumiu, todo o necessário para se construir o futuro. “E, se não conseguirmos construir um futuro incrível com isso, não teremos absolutamente nenhuma desculpa. Precisamos parar de contar a nós mesmos essas histórias assustadoras que inventamos e começar a contar histórias positivas sobre o futuro que queremos construir”, frisou.

Tecnologia sempre ganha

Para o especialista, a inteligência artificial precisa de uma narrativa positiva para neutralizar o alarmismo e fazer florescer o desenvolvimento de soluções econômicas e escaláveis. Após a apresentação na abertura do evento, Holman ressaltou para jornalistas de todas as regiões do mundo presentes no evento que a inteligência artificial é a mais poderosa de todas as ferramentas nesse momento.

Ele chamou de primeira fase de IA o que tem ocorrido nos últimos anos. Ou seja, a construção de grandes modelos de linguagens acessíveis à população em geral, com large language models (LLMs) capazes de falar a língua de todos e se comunicar com as pessoas.

“Mas podemos criar diferentes tipos de modelos para nos ajudar a chegar à raiz dos mistérios reais do universo; e esses mistérios precisam ser resolvidos para que possamos saber o que (e como) construir para o futuro. E, se pudermos resolvê-los, então, poderemos tornar as coisas cem ou mil vezes mais eficientes, mais limpas, mais seguras ou mais humanas. É isso que me entusiasma de verdade”, disse.

Por diversas vezes, Holman refutou o que chamou de “histórias assustadoras” que são criadas ao redor de inteligência artificial e clamou por uma visão mais positiva e prática. “Falo sobre os reatores nucleares, porque é uma história que contamos errada há 50 anos, e é muito difícil se recuperar de uma história errada. Leva gerações. As pessoas que estão fazendo isso com IA agora”, comparou.

No esforço de mostrar visões positivas e práticas para tecnologias, Holman destacou que IA pode tornar o futuro mais incrível e resumiu que a “primeira coisa que devemos ter em mente, como um conceito fundamental, é que a tecnologia sempre vence no longo prazo”. E a razão para isso é, mesmo que se invente uma tecnologia, coloque-a para funcionar e depois simplesmente não a use, isso pode perdurar por algumas gerações, mas depois ela será usada.

“As tecnologias precisam passar por um ciclo de vida. Às vezes, podemos encurtá-lo, fazendo com que a primeira versão seja superpositiva e, então, o mundo pode adotá-la rapidamente. Em outros casos, se a primeira versão assusta as pessoas, é preciso corrigir o rumo — e isso pode levar gerações”, explicou.

Desta forma, o futurista argumentou que, para se obter resultados com uma tecnologia no curto prazo, é preciso ser proativo em tornar os primeiros casos de uso positivos. “É por isso que estou tentando usar IA para a ciência, para gerar energia, para resolver problemas de mineração, lixo, alimentação, manufatura, construção, todas as coisas das quais cada ser humano na Terra depende. Não estou tentando usar IA para conversar com meus filhos sobre imagens de bananas que eles possam criar para o TikTok.”

O 3DExperience World 2026, evento anual da Dassault Systèmes, ocorre de 1 a 4 de fevereiro e reúne milhares de usuários do SolidWorks, explorando o 3D UNIV+RSES e inteligência artificial no centro da criação e da inovação.

*A jornalista viajou a convite da Dassault Systèmes

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