A OpenAI comunicou à Comissão Europeia suas preocupações sobre o avanço de grandes grupos tecnológicos no mercado de inteligência artificial (IA) e as dificuldades de competir com plataformas que já dominam setores estratégicos, como nuvem, busca e publicidade digital. A informação foi divulgada pela Reuters, com base em documentos e fontes próximas à reunião que a empresa realizou em 24 de setembro com a comissária Teresa Ribera, responsável pela área antitruste.
De acordo com a empresa criadora do ChatGPT, os argumentos apresentados ao órgão europeu repetem o posicionamento público da OpenAI sobre a importância de garantir um ambiente competitivo e evitar que companhias com estruturas integradas verticalmente usem suas posições dominantes para controlar também o ecossistema de IA.
A reunião, segundo a Bloomberg News, tratou especialmente do papel do Google, controlado pela Alphabet, nas investigações abertas pela Comissão Europeia. O foco é entender se a gigante de tecnologia estaria migrando seu poder de mercado de áreas já consolidadas para novos produtos baseados em IA, como assistentes e ferramentas generativas, limitando o acesso de concorrentes a usuários e dados.
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A OpenAI alertou os reguladores sobre o risco de “bloqueio de usuários”, no qual plataformas com ampla base de clientes dificultam a migração para soluções concorrentes, reduzindo as opções de escolha e inibindo a inovação.
A Comissão Europeia confirmou que está revisando acordos entre empresas do mesmo grupo e outras parcerias estratégicas que possam restringir a competição no setor emergente da inteligência artificial.
Alphabet e Google não comentaram o caso até o momento.
O alerta da OpenAI chega num momento em que a empresa vive uma fase de expansão sem precedentes. Após concluir uma venda secundária de ações, atingiu US$ 500 bilhões em valor de mercado, tornando-se a startup mais valiosa do planeta. O ChatGPT, seu principal produto, já ultrapassa 800 milhões de usuários semanais, consolidando-se como o serviço de IA generativa mais usado no mundo.
Apesar disso, a companhia afirma que ainda enfrenta barreiras estruturais no mercado, especialmente pela dependência de infraestrutura de nuvem operada por gigantes como a Microsoft, uma de suas principais investidoras.
A iniciativa da OpenAI reforça o debate em torno da governança da IA na Europa, que avança com a implementação do AI Act — o conjunto de regras do bloco voltado à segurança, transparência e responsabilidade no uso da tecnologia.
A Comissão Europeia tem intensificado as investigações sobre práticas anticompetitivas no setor digital e pode estender o escopo dessas ações para incluir novas formas de integração entre software, hardware e serviços de IA.
Para analistas, a postura da OpenAI representa um movimento estratégico para posicionar a empresa como defensora de um mercado aberto, ao mesmo tempo em que pressiona os reguladores a estabelecer limites claros ao poder das big techs.
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