O setor de saúde vem passando por uma profunda transformação digital, impulsionada pela necessidade de otimizar processos, integrar informações e colocar o paciente no centro do cuidado. À frente de um projeto pioneiro na cidade de São Paulo está a Liberty Health, empresa que faz parte do Grupo Liberty, especializado em soluções tecnológicas para o setor.
Em entrevista ao IT Forum, Henrique Nixon, Chief Strategy Officer (CSO) da Liberty Health, detalhou os desafios, as conquistas e as próximas etapas de um projeto de nuvem que, em pouco mais de dois anos e meio, já impactou, por ano, 7 milhões de pessoas na capital paulista com um investimento de R$ 70 milhões.
Segundo o executivo, primeira frente de atuação da Liberty Health na cidade de São Paulo foi levar o prontuário eletrônico para a nuvem, permitindo que as informações dos pacientes da rede pública de saúde ficassem centralizadas em um único local. “A tecnologia não resolve o problema sozinha, mas acelera o processo. A fragmentação de dados era um desafio, pois consumia-se muito tempo com burocracia e o atendimento deixava de ser humanizado”, explica Nixon.
Com mais de 1,4 mil estabelecimentos públicos de saúde em São Paulo, operando modelos de gestão distintos, o intercâmbio de informações era praticamente inviável. O segundo desafio foi, portanto, integrar esses diferentes sistemas para assegurar a troca de dados entre as entidades de saúde, como Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais, laboratórios e outros serviços, viabilizando um Registro Eletrônico de Saúde único e acessível em tempo real.
A adoção da Amazon Web Services (AWS) como base de infraestrutura em nuvem foi fundamental nesse processo, revela o executivo. De acordo com ele, a nuvem foi a base para a digitalização e é o primeiro passo para outras inovações
Nixon pontua que foi criada uma camada de comunicação para garantir que hospitais e unidades não ficassem desconectados, mesmo em situações adversas. Assim, o profissional de saúde passou a ter acesso ao histórico do paciente em um só lugar, unificação viabilizada por meio da ferramenta Bedrock da AWS, que oferece um sumário completo da vida clínica do indivíduo. “Antes, o médico precisava navegar por múltiplas telas. Hoje, em uma única visão, temos o quadro resumido e, se necessário, detalhes do prontuário”, comenta o CSO.
O passo seguinte, já em andamento, é o uso da inteligência artificial (IA) para gerar insights ao médico. A ideia é que, a partir dos dados do paciente, a IA aponte riscos, estimule o diagnóstico precoce e até sugira condutas baseadas em evidências científicas. “Exemplo: uma mulher com determinado histórico e resultados de exames pode ter um alerta precoce sobre risco de câncer de mama”, detalha Nixon.
A transformação digital também trouxe benefícios econômicos para a cidade de São Paulo, indica. Com a digitalização do prontuário e o uso de dados estruturados, São Paulo conseguiu aumentar em R$ 140 milhões o faturamento no SUS. Ao ajustar fluxos de autorização, evitar glosas, recusa parcial ou total de pagamento de uma conta hospitalar ou de serviços de saúde, indevidas e alinhar a atuação dos profissionais de saúde conforme as exigências do Ministério da Saúde, o sistema otimiza a receita e, com isso, libera mais recursos para investimentos em tecnologia e melhorias no atendimento.
Se a tecnologia é o motor, a capacitação é o combustível indispensável, acredita o executivo. Um dos grandes aprendizados, segundo Nixon, foi a necessidade de treinar os profissionais de saúde no ferramental. “No início, tínhamos o sistema, mas não havia preparo adequado. Criamos a Universidade Liberty, com vídeos curtos e treinamentos específicos. Assim, o médico, o enfermeiro e o técnico entendem o fluxo digital e podem focar no cuidado ao paciente”, relata.
Além disso, a Liberty trouxe profissionais de saúde para a equipe de tecnologia, garantindo diálogo fluido entre os times e a construção de soluções realmente aderentes às necessidades clínicas e operacionais.
O futuro envolve a integração com entes privados, como o Hospital Albert Einstein e o Sírio-Libanês, em São Paulo, ampliando a rede de troca de informações e garantindo que o paciente autorize o compartilhamento de seus dados entre o sistema público e o privado. Além disso, espera-se melhorar fluxos logísticos, evitando perdas e comprando insumos no momento exato. Com isso, a IA assumirá um papel crescente, desde o acompanhamento de pré-natal até a otimização de filas para procedimentos complexos, como transplantes.
A Liberty Health também se prepara para tendências internacionais de remuneração na saúde. Em vez de pagar por procedimento, a lógica futura é remunerar pela eficiência e resultados: menos reinternações, maior prevenção, atenção contínua ao paciente crônico. “Na Europa e nos Estados Unidos, o modelo de ‘diagnostic oriented group’ está avançando. Aqui, ainda pagamos pelo procedimento, não pelo desfecho. Estamos acompanhando essa mudança para, quando ela chegar, estarmos prontos”, explica Nixon.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!
A Unico, empresa brasileira especializada em identidade digital e biometria facial, ingressou com ações nas…
A Salesforce anunciou parceria com a FIFA como apoiadora oficial da Copa do Mundo de…
Neil Redding será o palestrante de abertura do IT Forum Praia do Forte 2026. Com…
Apesar da consolidação da computação em nuvem como um dos pilares da transformação digital, uma…
As equipes de segurança cibernética enfrentarão um cenário cada vez mais complexo nos próximos anos,…
Apenas uma em cada três pessoas dos Estados Unidos aprova o ritmo acelerado de construção…