Futurista e CEO da consultoria Redding Futures, Neil Redding tem uma teoria inusitada sobre o papel da inteligência artificial (IA) na sociedade moderna. Para ele, a tecnologia em breve não será apenas mais uma ferramenta a ser utilizada por humanos no dia a dia, mas sim uma “nova espécie” com a qual teremos que conviver.
“Pela primeira vez na história da civilização, temos uma entidade que é, em muitos aspectos, igual ou superior a nós em formas de inteligência que valorizamos”, disse em conversa com o IT Forum durante o Universo Totvs, princial evento anual da gigante brasileira no qual apresentou sua visão para a evolução da IA.
Antes de se tornar essa nova espécie, defende Redding, a tecnologia deve passar cinco fases até alcançar seu estágio de “simbiose” com a humanidade. A primeira etapa, já superada, é a “fase dos prompts”, na qual interagimos com chatbots por meio de comandos simples.
O segundo e o terceiro estágios marcam a transição de uma IA passiva para uma de participação ativa, em que a tecnologia começa a atuar como parceira das pessoas. A quarta fase é a da autonomia, quando a IA adquire agência suficiente para iniciar ações por conta própria, considerando o contexto em que opera.
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Por fim, chegamos à simbiose: uma relação de troca entre humanos e IA, na qual ambos se beneficiam. “Acho que é uma trajetória natural que nós e a inteligência artificial comecemos a trabalhar juntos, entendendo melhor uns aos outros e nos tornando parceiros colaborativos em muitos aspectos do nosso trabalho. Já estamos vendo que os modelos de IA, quando se comunicam conosco – e, claro, parte disso vem de como eles são programados –, são projetados justamente para querer ter uma relação produtiva e de parceria conosco, certo?
Para ele, o caminho ideal é construir uma relação de colaboração, em que a IA contribua para a gestão de empresas, governos e até para a preservação ambiental.
Há, no entanto, pontos de atenção e desafios significativos nessa jornada. Um deles é o fato de que grande parte das IAs mais avançadas da atualidade são desenvolvidas como produtos, criadas por empresas privadas que visam o retorno econômico. O cenário levanta dúvidas sobre até que ponto essas tecnologias podem servir ao bem coletivo.
O futurista compara o contexto atual aos problemas vivenciados com as redes sociais. Com modelos de negócios baseados na economia da atenção, essas plataformas acabaram prejudicando a saúde mental e a qualidade da informação no ambiente digital a longo prazo. “Maximizar lucros não maximiza nosso bem-estar”, anotou.
Uma das soluções para esses desafio seria a expansão dos modelos de IA de código aberto. Esses sistemas, afirma Redding, permitem que qualquer um acesse o código dos modelos de IA e compreenda como ele foi treinado, aumentando a transparência e a possibilidade de controle por parte da sociedade. “Modelos menores, que podem ser executados localmente e com menos custo, também representam um caminho real para reduzir a dependência de grandes corporações”, propõe.
Outro caminho são mudanças no próprio conceito de responsabilidade empresarial. Segundo o futurista, é preciso que companhias sejam cobradas para colocar temas como saúde humana e ambiental acima do lucro imediato. “É um momento de escolha. Podemos seguir o caminho de uma IA controlada por interesses privados ou podemos criar tecnologias abertas, transparentes e realmente voltadas para o benefício coletivo”, conclui.
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