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Nava acelera estratégia de aquisições e atuação internacional

Quando se tornou sócio e CEO de uma empresa que faturava R$ 80 milhões em pleno dia de lockdown por conta da Covid, em 23 de março de 2020, a aposta de André Scatolini parecia um movimento de alto risco. O mundo fechava portas, mas ele escolheu abrir uma.

Seis anos depois à frente da Nava, a empresa se aproxima da casa dos R$ 500 milhões em faturamento, reúne 2 mil colaboradores e prepara uma ofensiva simultânea: novas aquisições focadas em eficiência tecnológica, expansão internacional e ambição de estar entre as fornecedoras das 50 das 100 maiores companhias do mundo até 2030.

O ponto de inflexão mais visível começou no fim de 2024, com a entrada da Crescera Capital na sociedade da empresa. O fundo buscava uma plataforma robusta de tecnologia no Brasil. A Nava buscava combustível para acelerar. O casamento abriu espaço para algo que até então não fazia parte do DNA da companhia, uma estratégia estruturada de crescimento inorgânico.

Em janeiro de 2026, a Nava anunciou duas aquisições. A primeira foi da GH, com forte atuação em creative innovation, e a segunda a Ventura, especializada em cibersegurança, focada na gestão de crises e resposta a incidentes. “Nosso plano não é apenas ampliar portfólio, mas completar lacunas estratégicas. No caso de cibersegurança, atuávamos na questão preventiva. Agora, conseguimos trabalhar o ciclo completo, antes e depois da crise”, explica Scatolini.

A meta para este ano é concluir ao menos mais três compras, com foco em eficiência tecnológica, otimização de nuvem, simplificação de ambientes complexos e diversificação setorial.

Não entram na tese empresas excessivamente dependentes do setor público. Hoje, 100% da receita da Nava vem do setor privado, sendo 60% concentrados no mercado financeiro.

Do Brasil para os EUA

Outro movimento importante da empresa está na entrada no mercado internacional, iniciando pelos Estados Unidos. Ainda no primeiro semestre, a Nava pretende estabelecer base própria no país, enviando executivos para estruturar operação local e consolidar parcerias.

Diferentemente de outras empresas latino-americanas que usam os EUA apenas como base comercial, a intenção é construir relevância real no maior mercado de tecnologia do mundo. “Ter receita em dólar traz diversificação e valorização. Mas mais do que isso, estar no hub global de tecnologia muda a percepção da marca”, afirma Scatolini.

Aquisições fora do Brasil também estão no radar. O pano de fundo é garantir regionalização tecnológica, incentivo a data centers locais e garantir soberania digital.

IA como base

Em paralelo, a inteligência artificial (IA), a grande vedete do mercado, deixou de ser área específica e passou a ser premissa transversal na estratégia da Nava. “Consideramos a IA como nosso sistema operacional. É proibido entregar algo sem pensar em eficiência usando inteligência artificial”, afirma o CEO. A empresa tem, portanto, trabalhado com orquestração de agentes, automação de tarefas e uso intensivo de IA para ganho de produtividade.

O mesmo raciocínio vale para cibersegurança, tema que saiu da área técnica e ganhou assento no conselho das empresas. “Hoje cibersegurança é pauta de board. E quando se é o parceiro que o cliente pode chamar na hora da crise, isso muda o nível da relação”, afirma o executivo.

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