A Microsoft anunciou que investir ámais de US$ 15 bilhões nos Emirados Árabes Unidos até 2029, fortalecendo sua infraestrutura de nuvem e inteligência artificial (IA) no país. O plano, revelado por Brad Smith, vice-presidente e presidente global da companhia, inclui a expansão dos data centers de IA e marca um novo capítulo na corrida tecnológica do Oriente Médio.
Durante entrevista à Reuters, Smith confirmou que a empresa recebeu licenças do governo dos Estados Unidos para exportar chips da Nvidia aos Emirados Árabes — autorização rara em meio às restrições impostas a países fora do eixo estratégico de Washington. Esses chips serão usados nos data centers próprios da Microsoft na região, ampliando a capacidade de processamento local.
O investimento faz parte de uma estratégia do governo dos Emirados Árabes para se posicionar como hub global de inteligência artificial, movimento que tem atraído bilhões de dólares em aportes internacionais. A aliança com a Microsoft reforça a relação próxima entre Abu Dhabi e Washington, que busca equilibrar o avanço tecnológico com a proteção de tecnologias sensíveis frente à China.
Em 2024, a Microsoft já havia investido US$ 1,5 bilhão na G42, empresa de IA com sede em Abu Dhabi, adquirindo uma participação minoritária e um assento no conselho, ocupado pelo próprio Brad Smith. A G42, que no passado teve relações comerciais com companhias chinesas, vem adotando medidas para se alinhar aos padrões regulatórios dos Estados Unidos, segundo o executivo.
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“A G42 fez enormes progressos em cumprir as exigências legais e de segurança dos EUA”, afirmou Smith, destacando que a companhia deve ter acesso direto aos chips mais avançados em breve.
No blog oficial da Microsoft, Smith detalhou que as licenças anteriores, concedidas ainda sob o governo Biden, permitiram acumular o equivalente a 21.500 GPUs Nvidia A100 nos Emirados, combinando versões A100, H100 e H200.
Em setembro, a administração Trump ampliou essa autorização, liberando a exportação de mais 60,4 mil unidades equivalentes aos modelos A100, incluindo as GPUs GB300, de última geração. Os chips ainda não foram enviados, mas deverão chegar “em poucos meses”, segundo o executivo.
Esses processadores são essenciais para o treinamento e execução de modelos generativos e aplicações de IA corporativa, segmento que exige altíssimo poder de computação e eficiência energética.
Entre 2023 e o fim de 2025, a Microsoft terá investido US$ 7,3 bilhões nos Emirados. Outros US$ 7,9 bilhões estão programados até 2029, incluindo novos data centers e ampliação das operações de nuvem e IA.
O montante total de US$ 15,2 bilhões não inclui o projeto Stargate UAE, megacomplexo anunciado durante visita do presidente Donald Trump ao Golfo em maio, que deve abrigar um dos maiores polos de data centers do mundo.
Smith classificou o investimento como “crítico para atender à demanda crescente por IA no Oriente Médio”, reforçando o papel da Microsoft como parceira estratégica da região em infraestrutura digital.
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