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Microsoft e Google ingressam em nova batalha pelo controle da nuvem

O conflito entre Microsoft e Google passou a ter novos contornos na última semana, com a Microsoft acusando o Google de orquestrar “campanhas sombrias” para enfraquecer sua posição no mercado de computação em nuvem.

A acusação, publicada pelo The Verge, foi feita pouco antes do anúncio oficial da Open Cloud Coalition, um grupo de lobby supostamente criado com o objetivo de prejudicar a imagem da Microsoft perante reguladores e o público. Em uma postagem contundente, Rima Alaily, vice-conselheira geral da Microsoft, criticou o Google por sua suposta tentativa de descredibilizar a Microsoft ao ocultar seu papel e financiamento na nova organização.

A tensão se agravou após o Google tentar impedir um acordo entre a Microsoft e o Cloud Infrastructure Services Providers in Europe (CISPE). Este acordo levou o CISPE a retirar uma queixa contra a Microsoft por práticas anticompetitivas, desde que a empresa permitisse que provedores europeus de nuvem usassem seus aplicativos e serviços no nível local.

Leia também: “Queremos uma aterrissagem forte no Brasil”: Globant inaugura AppHaus e projeta expansão na América Latina

Disputa pela nuvem

Na arena de cloud, o Google alega que a Microsoft impõe práticas anticompetitivas ao cobrar mais caro para que clientes usem suas licenças do Windows Server em outras plataformas.

Com isso, a Microsoft favoreceria serviço de nuvem próprio, o Azure, ao dificultar a migração para provedores rivais. A Microsoft argumenta que seus clientes não deveriam receber descontos ou créditos para usar suas licenças fora da própria infraestrutura, criando um impasse entre as duas empresas.

Esse embate, revela o The Verge, é estratégico para o Google, que, apesar de ser um dos maiores nomes da tecnologia, ainda está atrás da Microsoft e Amazon no mercado de nuvem. Com mais de 20 investigações antitruste em andamento, o Google busca expandir sua presença no setor de nuvem para diversificar seus negócios e aliviar a pressão sobre suas atividades de busca e publicidade digital.

Paz pela frente?

Embora Microsoft e Google tenham firmado uma trégua de seis anos para evitar disputas legais, essa paz terminou em 2021. Desde então, as empresas protagonizam desavenças públicas, especialmente sobre segurança e o controle de mercado do Google. Brad Smith, presidente da Microsoft, chegou a criticar o Google em um depoimento no Congresso dos EUA. Na ocasião, ele se posicionou contra o domínio da empresa no mercado de anúncios digitais.

Essas tensões refletem batalhas mais antigas entre as empresas, que no passado já se enfrentaram em questões relacionadas a navegadores e aplicativos. Durante anos, o Google limitou o suporte ao Internet Explorer e ao Edge da Microsoft, o que levou a Microsoft a abandonar sua própria tecnologia de navegador e adotar o Chromium, base do Chrome, em 2019.

Afinal, quem vai levar a disputa?

A nova disputa pela nuvem não parece ter fim à vista. A Microsoft, com uma receita trimestral de US$ 24,1 bilhões em serviços de servidor e nuvem, vê o setor como fundamental para suas ambições em IA. Após investir bilhões na OpenAI, a empresa liderada por Satya Nadella aposta que o avanço em inteligência artificial poderá desafiar o domínio do Google na busca, expandindo seu alcance no mercado.

Com bilhões de dólares em jogo e um mercado em rápida evolução, é improvável que as duas gigantes cheguem a um acordo amistoso tão cedo. A batalha entre Microsoft e Google pelo controle da nuvem e pela inovação em IA está só começando e promete capítulos ainda mais intensos.

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