A especialista em segurança da informação Fortinet alerta: as empresas latino-americanas seguem enfrentam insuficiência de competências em cibersegurança em seus times, e a inteligência artificial tanto ajuda a preencher essas lacunas como é, ela própria, parte da ameaça. A conclusão faz parte do Relatório Global da Lacuna de Habilidades em Segurança Cibernética de 2025, divulgado na quarta-feira (8).
Segundo o estudo, a falta de conscientização e treinamento em segurança cibernética continua sendo a principal causa de violações nas companhias. E o cenário é ainda mais grave quando se considera que os conselhos administrativos não possuem conhecimento cibernético, apesar de essa ser uma de suas prioridades.
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“A pesquisa deste ano ressalta ainda mais a necessidade urgente de investir em talentos em segurança cibernética”, diz em comunicado Carl Windsor, CISO da Fortinet.
O estudo da Fortinet cita um levantamento de 2024 que estima a escassez global de talentos em cibersegurança em mais de 4,7 milhões de profissionais qualificados, incluindo 329 mil na América Latina. Aponta também que 86% das organizações da América Latina e do Caribe sofreram pelo menos uma violação cibernética em 2024, com 20% relatando cinco ou mais violações.
Esses números representam um aumento em relação a 2023, quando 81% das organizações relataram violações e 4% enfrentaram cinco ou mais. Mais de 60% dos entrevistados na região indicaram falta de habilidades e treinamento em segurança de TI como uma das principais causas de violações em suas organizações.
E os impactos financeiros são significativos: 35% dos entrevistados de empresas latino-americanas afirmam que os incidentes lhes custaram mais de US$ 1 milhão em 2024, valor parecido com o do ano anterior.
A IA parece oferecer certo alívio em meio à escassez de habilidades dos profissionais. A pesquisa indica que 98% das organizações na América Latina e no Caribe utilizam ou planejam implementar soluções de segurança cibernética habilitadas por IA, principalmente para detecção e a prevenção de ameaças.
Para 83% dos profissionais de segurança cibernética na região, a expectativa é que a IA aprimore funções, em vez de substituí-las. E 78% dizem que a IA está ajudando equipes de TI e de segurança a se tornarem mais eficazes.
Porém, mais da metade (54%) dos tomadores de decisão de TI na América Latina apontam a falta de profissionais com experiência suficiente em IA como o maior desafio para uma implementação bem-sucedida. Globalmente, 76% das organizações que sofreram nove ou mais ataques cibernéticos em 2024 tinham ferramentas de IA implementadas, o que segundo a Fortinet sugere que a adoção por si só não é suficiente.
A pesquisa foi realizada com mais de 1.850 tomadores de decisão de TI e segurança cibernética de 29 países e localidades diferentes, 400 deles no Brasil, Argentina, Colômbia e México. Os entrevistados trabalham em setores como tecnologia, manufatura, serviços financeiros, saúde e serviços profissionais.
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