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Laboratória completa 10 anos formando e empregando mulheres em tecnologia

Há dez anos, nasceu a Laboratória, uma organização peruana que tem a missão de transformar a vida das mulheres latino-americanas por meio de uma carreira em tecnologia. O IT Forum conversou com Mariana Costa, cofundadora e presidente da organização, que contou que a história da Laboratória começa a partir da identificação de uma oportunidade gigante no mundo da tecnologia, com uma demanda alta por talento, mas poucas mulheres no mercado.

“Nós nascemos como um modelo para identificar as mulheres talentosas que estavam buscando um novo caminho, para formá-las de forma integral, tanto como desenvolvedoras quanto profissionais e, então, fazer a conexão com empresas de todas as indústrias que buscam talentos”, explica ela.

Hoje, mais de quatro mil mulheres passaram pela Laboratória, sendo 600 delas brasileiras. A organização chegou aqui por uma linda coincidência. Regina Acher, cofundadora da Laboratória no Brasil estava em um evento em Washington e a Mariana estava fazendo uma apresentação.

“Eu entrei em sua palestra e nem era uma sala que eu estaria. Mas, imediatamente, eu me identifiquei. O problema que ela citava era o mesmo problema do meu País: tanto sobre a falta de talentos quanto a desigualdade de forma geral”, revela Regina.

Leia mais: Moojan Asghari: mulheres ocupam apenas 20% das posições em IA

Nesse momento, a Laboratória já estava no Peru, México e Chile e, após o encontro das executivas, começou no Brasil e, atualmente, também está na Colômbia. Mas, de forma remota, já chegou a 11 países.

“Já estamos no Brasil há seis anos e, para nós, é superimportante ter uma diversidade de empresas. Na América Latina, já são mais de mil companhias que empregam mulheres que se formaram conosco e, no Brasil, dezenas. Algumas delas são o Bradesco, C6 Bank, Banco Safra, Loggi, Bip Saúde, Accenture, Avanade e NTT Data”, comenta Regina.

Para que o objetivo de contratação seja atingido, Mariana explica que o processo de seleção é muito rigoroso. O programa intensivo tem duração de seis meses e pede uma alta dedicação, quase full-time. As aulas são baseadas em aprendizado por projetos, pois a ideia é que a experiência seja menos academia e mais parecida com o mercado de trabalho.

“Temos um foco muito grande em trabalho colaborativo. E há muita responsabilidade das alunas em seu próprio caminho de aprendizado. Elas são as donas do caminho de desenvolvimento e crescimento e têm muita autonomia de como aprender e o que aprender. Tentamos que os skills necessários para o mercado de trabalho, como planejamento de tempo, comunicação, resolução de conflitos, sejam desenvolvidos”, revela Mariana.

A importância das mulheres na tecnologia

Regina divide que os números brasileiros são parecidos com os globais. São entre 20% e 30% de mulheres no mercado de tecnologia. Entretanto, além do desafio de colocá-las no mercado de trabalho, está a manutenção dessas mulheres para continuarem crescendo nas empresas.

“O ano passado teve uma grande mudança no mercado e a Laboratória viu uma velocidade muito menor nas contratações júnior. Em geral, tivemos uma evolução, mas não podemos retroceder porque, se não fizermos nada, os índices pioram”, alerta ela.

Para ajudá-las, Mariana conta sobre o Laboratória Plus, um novo projeto da organização (mas que ainda não está no Brasil) focado nas mulheres que estão crescendo em suas carreiras, mas precisam fortalecer sua autoconfiança e se movimentar mais estrategicamente para chegar aos postos de liderança.

Ela aproveita para pontuar a importância de as companhias continuarem a apostar em talentos júnior. “Quando as coisas estão difíceis, o primeiro que sai da prioridade são eles, mas sem o júnior, não há o sênior. Todo mundo tem que começar em algum lugar e a carreira de tecnologia, com a inteligência artificial, ficou mais desafiadora para o talento júnior em todos os setores. E as indústrias têm a responsabilidade de dar essas oportunidades”, diz Mariana.

Regina concorda e afirma que o trabalho da Laboratória é feito em conjunto com as empresas. “Tem que ter uma intencionalidade para conseguirmos os resultados”, finaliza ela.

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