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“A empresa que não tiver uma lógica de iteração não vai dar certo com a IA”, diz CIO da Cadastra

A adoção da inteligência artificial (IA) tem enfrentado um vilão dentro das empresas: a dificuldade em validar o ROI (Retorno sobre Investimento) no uso da tecnologia. De acordo com a pesquisa Antes da TI, a Estratégia, o problema atinge 48% dos executivos de tecnologia no País e, para o chief innovation officer (CIO) da Cadastra, Adilson Batista, enquanto não houver uma base de conhecimento bem estruturada, a estatística só tende a piorar.

Em seu painel “ROI da transformação: quanto custa continuar como você está?”, apresentado no IT Forum Na Mata: IA aplicada aos negócios, nesta quinta-feira (23), o executivo abordou os desafios estruturais que impedem as organizações de obter retorno com projetos de IA. Um deles é a falta de entendimento mais profundo de muitos C-levels em relação à tecnologia.

“Sabemos que 91% dos C-levels acham que entendem de IA, mas exageram, e, com isso, acabam utilizando IA analítica onde deveriam empregar a generativa, e vice-versa”, explicou, citando dados da consultoria de mercado Gartner.

Além disso, esse comportamento, segundo Batista, faz com que a expectativa sobre a ferramenta seja elevada, aumentando a pressão sobre os executivos de tecnologia e acelerando a corrida para o chamado ‘Teatro de Inovação’. O termo, criado por Steve Blank, refere-se às diversas ações que as organizações realizam em nome da inovação, mas que, na prática, não geram transformação efetiva e, consequentemente, não produzem resultados concretos.

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Como exemplo, o CIO da Cadastra citou programas como hackathons, POCs e design thinking que, apesar de terem sua importância, muitas vezes são realizados de forma indiscriminada e desconectada do negócio e de seus objetivos.

Em um artigo para a Harvard Business Review, Blank afirma que as mudanças que realmente geram ROI são aquelas que acontecem nos bastidores das empresas, ou seja, na operação. No entanto, para colocá-las em prática, é preciso mexer no orçamento, no poder e no status dentro da organização. Nesse contexto, são as companhias de maior porte que mais enfrentam dificuldades para implementar as transformações.

Segundo Batista, o tamanho da empresa também traz outra barreira: a dificuldade de aceitar o erro como parte do processo. Com conceitos e procedimentos mais bem definidos, as corporações maiores acabam se distanciando de seus objetivos de negócio e caindo na chamada zona de previsibilidade. O hábito, embora mantenha a estabilidade, inibe a inovação.

“Precisamos lembrar que inovação é iteração, é ida e volta. É teste, porque ainda não existe um playbook dessa tecnologia; é tudo muito novo. E a empresa que não tiver a lógica da iteração não vai dar certo com a IA”, afirma.

Para reforçar seu ponto, Batista comparou o momento atual a estar perdido em uma floresta e possuir uma bússola que indica a direção correta. No entanto, apesar de útil, a ferramenta não mostra o caminho, apenas o destino a ser seguido. Para ele, essa direção se reflete em uma previsão do Gartner, que aponta que, até 2035, cada segmento de mercado terá pelo menos uma empresa líder autônoma. Nesse sentido, o papel do ser humano se tornará o de arquiteto de sistemas inteligentes, conduzindo a autonomização.

O processo, porém, exige forte comprometimento das equipes para transformar a cultura das organizações, criando programas de capacitação em IA em todos os níveis e, ao testar agentes, fazê-lo onde houver o máximo de estrutura e governança possível — assim, é possível extrair o verdadeiro valor do projeto. “A IA é apenas uma nova forma de fazer tudo, mas o futuro dos negócios será escrito por quem unir dados, pessoas e inteligência artificial em uma mesma visão”, conclui.

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