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“A Inteligência Artificial é o fenômeno tecnológico mais importante da década”, aponta diretor da Abranet

A recente aprovação da legislação de Inteligência Artificial (IA) pelo Parlamento Europeu marca um momento decisivo na busca pelo equilíbrio entre inovação tecnológica e proteção social. A lei europeia é inspirada em princípios de autoregulação guiada, semelhantes aos da General Data Protection Regulation (GDPR) e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e faz uma estruturação meticulosa que prioriza a análise de riscos e obrigações de compliance. 

A abrangência e potencial de restrição aprovada pelos europeus, no entanto, levantam questões sobre a capacidade de se adaptar às rápidas evoluções tecnológicas. 

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No contexto brasileiro, a discussão sobre o tema também se faz presente. Diante desse cenário em constante evolução e novidades, a Abranet criou uma diretoria específica para a Inteligência Artificial, com o objetivo de fomentar debates e ocupar espaços de discussão. 

A iniciativa é liderada por André Queiroz de Andrade, executivo que está ligado a duas startups: a Senno, especializada em gestão da inovação e IA, e ARKx, focada em realidade estendida e IA.  

Em entrevista ao IT Forum, Andrade destaca a relevância da inteligência artificial, situando-a como o terceiro grande marco tecnológico no contexto brasileiro. Ele ressalta que o primeiro marco foi a introdução da Internet no país, seguido pelo advento dos dispositivos móveis.

Por isso, o executivo abordou a urgência de posicionar o empresariado brasileiro frente às recentes propostas legislativas sobre inteligência artificial. Apontando para a complexidade e a novidade do tema, enfatizou a importância de uma abordagem cautelosa e colaborativa na definição de políticas regulatórias. 

Ao longo da conversa, o diretor apontou as três principais frentes de atuação da Diretoria de Inteligência Artificial. No curto prazo, o foco recai sobre o posicionamento estratégico em relação à legislação vigente, ressaltando a necessidade de alinhamento entre as demandas do setor e as iniciativas governamentais.  

Em relação à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) em discussão, o entrevistado expressou preocupação com o impacto potencial sobre a inovação e o empreendedorismo. “Essa infospecial acendeu todas as luzinhas de quem investe ou participa do setor de tecnologia, de que era possível que o Brasil estivesse queimando a largada ao criar uma legislação sobre uma coisa que ninguém, sequer as pessoas que estão na ponta do desenvolvimento disso, entendem bem o suficiente para conseguir colocar dentro de uma caixinha”, aponta o executivo sobre o processo de regulação da IA. 

Em uma análise de médio prazo, o executivo destacou o papel da Associação Brasileira de Internet (Abranet) em promover uma agenda de cooperação e inovação. Retomando a trajetória histórica do setor, enfatizou a importância da colaboração entre o Estado e o empresariado para impulsionar a soberania tecnológica do país. Já que, segundo ele, “não há a possibilidade de crescermos quando o esforço está em impor limites no setor que você nem sequer se deu ao trabalho de desenvolver”. 

Futuro do debate sobre Inteligência Artificial

Contudo, o horizonte de longo prazo revelou uma perspectiva desafiadora: a necessidade de conscientizar a sociedade brasileira sobre o potencial transformador da tecnologia. Para isso, propôs uma mudança cultural que valorize o setor de tecnologia e reconheça sua relevância para o desenvolvimento nacional. 

Por isso, o terceiro ponto na agenda da diretoria é a necessidade de um diálogo construtivo entre os setores público e privado, visando uma abordagem equilibrada e eficaz na formulação de políticas relacionadas à inteligência artificial. “A gente precisa, urgentemente, fazer o brasileiro entender que tecnologia é importante e que o Brasil já é uma potência”, finaliza. 

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