A Intel está preparando sua defesa contra uma ação antitruste movida por órgãos reguladores europeus e concorrentes. Em audiência que acontece na semana que vem a fabricante de chips vai prestar esclarecimentos sobre acordos de negócios fechados com fabricantes de PCs. A ação questiona também acordos fechados com revendas, mas estes serão analisados em outra ocasião.
A audiência, que acontece nas próximas terça e quarta-feira, terá foco nas denúncias feitas em julho pela Comissão Européia, que acusa a Intel de conceder “descontos substanciais” aos fabricantes que comprarem os processadores x86. A comissão também acusa a fabricante de pagar os fabricantes de PCs por atrasar ou cancelar seus lançamentos baseados em chips da AMD e de vender chips para servidores abaixo do custo para grandes usuários, como governos e universidades.
A Intel tem argumentado que está competindo duramente, mas de forma limpa, em um setor muito competitivo. Apesar disso, as denúncias podem ser a base sobre a qual a comissão pretende construir outro grande caso.
Em fevereiro, membros da comissão fizeram visitas surpresa a escritórios da Intel em Munique, na Alemanha, e aos escritórios de revendas como Media Markt – na Alemanha, Itália e Hungria –, da DSG (Inglaterra) e da PPR (França). A comissão disse estar conduzindo a investigação porque suspeita que a Intel e as revendas estariam violando leis que banem práticas de negócio restritivas e que a fabricante estaria abusando de sua posição dominante no mercado.
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Dúvidas sobre o relacionamento da Intel com revendas existem há alguns anos, mas a comissão só abriu uma investigação em 2006, depois de receber uma denúncia da AMD, único rival significante da primeira. Na época, a comissão suspeitou que a Intel estaria pressionando a Media Markt a não estocar computadores equipados com chips da concorrente.
De todo modo, a audiência da próxima semana terá foco apenas nas práticas de negócios da Intel relacionadas aos fabricantes de PCs. Se a comissão decidir que a companhia é culpada, a Intel poderá ser multada em 10% de suas vendas globais – algo em torno de 3,2 bilhões de dólares. Mas, assim como ocorreu com a Microsoft, a Intel estaria mais preocupada com as mudanças que terá que fazer em seu modelo de negócios.
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