A volta em grande estilo, ainda este ano, ao mercado de aparelhos telefônicos celulares, está nos planos da Gradiente, conglomerado brasileiro do ramo de eletrônica de consumo. Para comandar esta operação, o grupo recontratou Sidnei Brandão como diretor geral da unidade de negócios telecomunicações.
O executivo fez história no grupo ao transformar a marca Gradiente no mercado brasileiro de aparelhos celulares tão respeitada quanto a de multinacionais consideradas ícones no segmento como Motorola, Ericsson, Philips e a própria Nokia. Produtos de boa qualidade e uma política comercial agressiva foram os ingredientes que tornaram isso possível.
Mas o que abriu caminho para a volta da Gradiente ao setor foi mesmo o fim de um problema legal, diz Brandão. Isso por força do contrato que transferiu o controle da Gradiente Indústrias Eletrônicas da Amazônia, que fabricava os aparelhos celulares da empresa, para a Nokia.
Na época, segundo Brandão, a Gradiente se comprometeu, por um prazo de dois anos, a atuar apenas com aparelhos celulares adquiridos da própria Nokia em regime OEM (Original Equipment Manufaturer), aquele pelo qual quem compra o produto podem vende-los como se fosse própria.
Esta cláusula, de certa forma, tirou a Gradiente do mercado de aparelhos telefônicos celulares. De um lado, fechou as portas para negociações com outros fornecedores, o que é fundamental para ter preços competitivos, e de outro, a impediu de fabricar os próprios produtos, um dos seus maiores trunfos devido a experiência acumulada nas áreas de consumo.
O fim do prazo de vigência destas restrições é exatamente o que alimenta os novos planos, diz Brandão. A Gradiente está negociando tecnologia com vários fabricantes (os nomes são mantidos em segredo por motivos estratégicos). Além disso, avalia uma estratégia na área de fabricação de produtos. As opções vão desde uma fábrica tradicional até a terceirização para uma multinacional do ramo de fabricação como Flextronix, Solectron ou Celéstica. Algum modelo híbrido também não está descartado.
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