O ano de 2025 representou um marco para a indústria de óleo e gás do Brasil. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o setor alcançou a marca de produção de 4,897 milhões de barris de óleo por dia. O volume é o maior já registrado no País e impacta diretamente a economia, já que a indústria é responsável por cerca de 17% do PIB nacional. E por trás de todos esses números existe um ingrediente essencial e contínuo: a inovação.
A partir da cláusula PD&I ANP, que determina que as empresas devem investir o equivalente a 1% da receita bruta anual em projetos de pesquisa e desenvolvimento, até 2023, o Brasil já havia captado mais de R$ 26 bilhões em inovação. No entanto, nos últimos anos, pautas como descarbonização, transição e segurança energética, e a digitalização a partir da inteligência artificial (IA) têm pedido por novos olhares.
Foi neste contexto que o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) decidiu se unir a todas as pontas do ecossistema de tecnologia e criar o hub de inovação, iUP. Posicionando-se como uma plataforma de inovação aplicada e aberta, a iniciativa busca conectar os desafios e demandas da indústria com novas soluções de tecnologia, por meio de eventos, projetos de incentivo e o programa de aceleração de startups, NPQ Navi.
De acordo com a gerente de Tecnologia e Inovação do IBP, Melissa Fernandez, a ideia é que o iUP possa fornecer a todas as partes do ecossistema uma segurança maior para atravessar o momento, por meio de uma curadoria de temas e soluções que realmente gerem bons resultados. “Nós nos perguntamos continuamente qual o valor que estamos conseguindo gerar para a indústria. Sabemos que o nosso setor é muito grande e que todo investimento, principalmente em startups, envolve um risco. Então estamos construindo um hub para atuar como um funil da inovação mesmo”, explica.
Criado em 2020, o funil do iUP já ajudou a impulsionar 57 startups, sendo 19 apenas em 2025. Com um impacto de investimento de R$ 32 milhões em pesquisas, desenvolvimento e inovação no Brasil, no ano passado, o hub promoveu mais de 60 pitches e viabilizou cerca de 40 conexões qualificadas de negócios, impactando mais de 10 mil profissionais.
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Entre os marcadores de resultado do hub, Melissa considera o último deles, o mais importante dos KPIs (indicador chave de desempenho, em tradução livre). “O nosso principal indicador é o quanto conseguimos impactar os profissionais que estão rodando nesse ecossistema do Navi e do iUP”, declara.
E para tornar tudo isso possível, antes de qualquer novo edital a plataforma realiza um road map tecnológico com as empresas mantenedoras do IBP. O processo busca mapear quais são as principais tendências de tecnologia para o contexto do setor de óleo, gás e energia, identificando então as lacunas e oportunidades possíveis de viabilização. A partir daí, um edital é aberto e as startups são selecionadas para atuar em conjunto com o hub.
No momento, empresas com soluções focadas em inteligência artificial e gêmeos digitais têm sido as mais buscadas dentro do setor. É o caso da Wiise Holding. Criada por Rodrigo Dias em 2025, a startup nasceu do desejo do CEO de transformar pesquisa e desenvolvimento em produto para mercado, após mais de 10 anos trabalhando na Petrobras. Dividida em quatro frentes de atuação, a empresa já faturou mais de R$ 40 milhões em menos de um ano de existência e, de acordo com Dias, grande parte disso se deve ao Iup.
“Por ter trabalhado na Petrobras por muitos anos, esta sempre foi uma porta aberta para nós, mas o IBP é uma relação muito importante para que tenhamos contato com as outras operadoras de petróleo. Quando criei a Wiise, um dos primeiros movimentos foi me aproximar deles para ter esse reconhecimento em pesquisa e desenvolvimento para as outras operadoras”, relata.
Além do auxílio na escala, o empreendedor afirma que o hub teve um papel importante na consolidação da Wiise enquanto empresa. O iUP faz a qualificação e curadoria das startups aceleradas e a conexão destas com a indústria, mas também apoia os novos negócios a se manterem relevantes no mercado.
“Olhando para o meu background, a uma pesquisa em si, ela pode não dar em nada. Só que quando eu entro com uma startup, eu tenho que achar o resultado e fazer um produto. Hoje eu preciso ter a habilidade de identificar rotas tecnológicas durante o processo para entender rapidamente o não vai dar certo, e mudar logo para alterar a rota”
Segundo Melissa, este é um desafio comum dentro do setor de óleo e gás. “Existe sim uma dificuldade de combinar o ritmo ágil de uma startup com um setor altamente regulado como o nosso. São mundos bem diferentes. O nosso papel é fazer tanto um acompanhamento técnico das etapas dos projetos, quanto ajudar elas a olharem para as premissas da nossa indústria. O que acabamos formando é um pipeline estruturado de governança”, afirma.
Com a rápida ascensão, Dias conta que a startup já tem pensado nos próximos passos, que incluem uma escala internacional. “O IBP faz parte do nosso plano para chegar em ainda mais operadoras e conseguir abrir um escritório em Houston, para internacionalizar a tecnologia brasileira.”
A partir de cases como este, considerados como um sucesso dentro do hub, Melissa pretende impulsionar ainda mais o NPQ Navi. Até o final do ano, a plataforma pretende lançar um segundo edital, desta vez conectando as startups selecionadas com parceiros que possam dar continuidade ao processo de mentoria após o final do processo dentro do hub. “Queremos que as pessoas nos vejam como um hub focado em network, em disseminação de informações e em fortalecer conexões, para consolidar essa visão de futuro de unir o óleo e gás à tecnologia”, conclui a gerente.
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