A combinação entre soberania digital, inteligência artificial agêntica (GenAI) e cibersegurança começa a redesenhar o jogo da tecnologia nas empresas e esse movimento tem favorecido fornecedores com portfólio amplo e integrado. A análise foi destacada por especialistas da Forrester após evento da IBM na Ásia, indicando uma mudança estrutural no mercado corporativo de IA.
Segundo a Forrester, o conceito de soberania digital deixou de ser uma discussão restrita à Europa e passou a ocupar o centro das estratégias globais. Governos e empresas agora exigem não apenas saber onde os dados estão armazenados, mas também quem controla as operações, as chaves de acesso e a capacidade de comprovar conformidade em tempo real.
Essa exigência se estende a ambientes híbridos, que combinam infraestrutura local, nuvem privada e nuvem pública. Nesse cenário, a IBM tem estruturado sua oferta com foco em transferir o controle para o cliente ou operadores locais, utilizando uma base aberta e adaptável a diferentes arquiteturas.
A estratégia da empresa também passa por aquisições e parcerias que reforçam sua presença em ecossistemas de código aberto e integração de dados. Ferramentas de streaming e bancos distribuídos entram como peças-chave para garantir que os requisitos de soberania sejam atendidos de ponta a ponta, e não apenas na camada de infraestrutura.
Com o avanço da IA agêntica, baseada em agentes capazes de tomar decisões e executar tarefas, surge um novo gargalo, a organização do contexto. De acordo com a Forrester, apenas uma parcela limitada das empresas consegue extrair impacto real da IA hoje, não por limitações dos modelos, mas por problemas estruturais nos dados.
Ambientes fragmentados, taxonomias inconsistentes e arquiteturas desenhadas para análise humana, e não para sistemas autônomos, criam o que analistas chamam de “dívida de contexto”. Esse acúmulo dificulta a atuação eficiente dos agentes inteligentes.
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A IBM tem direcionado investimentos justamente para essa camada, desenvolvendo plataformas que organizam dados em formatos reutilizáveis e acessíveis por diferentes agentes. A proposta é transformar APIs em interfaces centrais e posicionar agentes como consumidores diretos dessas informações.
Na prática, isso significa que a disputa no mercado de IA deixa de ser apenas sobre modelos mais avançados e passa a envolver a capacidade de estruturar e disponibilizar contexto de forma escalável.
A terceira dimensão dessa convergência é a segurança. A Forrester aponta que, à medida que agentes ganham autonomia e acesso a sistemas críticos, o risco cibernético se amplia proporcionalmente.
Dois movimentos ocorrem simultaneamente. De um lado, cresce a necessidade de proteger sistemas baseados em IA, com monitoramento contínuo, testes e governança robusta. De outro, a própria IA passa a ser usada para reforçar a segurança, com operações automatizadas capazes de responder a incidentes em minutos.
Esse novo modelo inclui centros de operações de segurança que utilizam múltiplos agentes especializados, como análise de ameaças, identificação de ativos e detecção de anomalias, atuando de forma coordenada conforme o contexto de cada incidente.
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