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IA e cibersegurança desafiam operadoras de telecom no Brasil

A escassez de talentos e competências e a resistência cultural estão limitando a capacidade de inovação das empresas do setor de telecomunicações, apesar de a inteligência artificial oferecer possibilidade concretas de avanços, inclusive em áreas consideradas chave, como a cibersegurança. É o que indica a nova edição do estudo Os 10 principais riscos nas telecomunicações em 2026, da consultoria multinacional EY.

O estudo chama atenção para outros riscos que podem comprometer a competitividade no setor. Por exemplo, subestimar as mudanças relacionadas à privacidade, segurança e confiança. De acordo com outra pesquisa da EY (AI Sentiment Index Survey 2025), 82% dos consumidores utilizaram ferramentas de IA nos últimos seis meses, mas apenas 48% acreditam que os benefícios superam os riscos.

As maiores preocupações estão ligadas a violações de segurança em sistemas de IA (64%) e falhas na proteção da privacidade dos dados (61%). Outro estudo citado, o EY Responsible AI Pulse Survey, diz que 59% das empresas de telecomunicações possuem metodologias robustas para mitigar riscos, contra 66% da média geral, além de serem menos propensas a implementar auditorias internas, políticas de ética e certificações de terceiros.

Leia também: 62% dos líderes de TI acreditam que sua infraestrutura não está pronta para IA

Na cibersegurança, outro levantamento da EY com diretores de segurança da informação (CISOs) aponta orçamentos insuficientes, dificuldades em equilibrar proteção e inovação e a necessidade de maior participação da área de cibersegurança nas decisões estratégicas da liderança. Apesar disso, 64% dos CISOs acreditam que a função de cibersegurança agregará mais valor nos próximos três anos.

“Esse cenário é ainda mais desafiador diante da crescente sofisticação das ameaças. A percepção de vulnerabilidade e o aumento das fraudes ampliam a desconfiança do consumidor, exigindo respostas rápidas e eficazes das empresas”, analisa em comunicado José Ronaldo Rocha, sócio e líder de consultoria de telecomunicações da EY para América Latina. “ Além disso, a IA traz um duplo desafio: ao mesmo tempo em que oferece ferramentas poderosas para a defesa, também pode ser utilizada para criar ataques mais sofisticados e automatizados.”

Transição tecnológica

O segundo maior risco apontada pela EY é a transformação “pouco eficaz” trazida pelo uso de novas tecnologias no setor. Os principais obstáculos para ampliar iniciativas de IA incluem restrições de recursos e dificuldades na criação de estruturas de governança eficazes (55%), além da complexidade regulatória (53%) e da priorização de casos de uso (40%).

Essas barreiras têm levado a estratégias divergentes: 33% das empresas planejam acelerar investimentos em IA devido a resultados positivos anteriores, enquanto 32% estão reduzindo ou reconsiderando aportes. A integração da segurança às novas tecnologias também é limitada, já que 46% dos CISOs afirmam não estar envolvidos ou estar apenas marginalmente envolvidos na adoção de IA.

Gestão de talentos

A gestão inadequada de talentos completa o top 3. O setor de telecomunicações enfrenta “sérios obstáculos” na gestão de pessoas e na adaptação cultural, diz a EY. A automação das funções de rede e TI, o desenvolvimento de plataformas internas e a integração de soluções de múltiplos fornecedores ampliam a demanda por competências, especialmente em áreas como cibersegurança (67%), inteligência artificial e aprendizado de máquina (65%), infraestrutura de TI (63%) e ciência de dados (60%).

No entanto, a escassez de profissionais qualificados, a forte competição entre empresas e a dificuldade em oferecer salários competitivos tornam o preenchimento de funções um desafio. As empresas têm apostado em estratégias como requalificação profissional (87%), contratação temporária de parceiros tecnológicos (53%), parcerias com universidades (49%) e aquisições de empresas para absorção de competências (38%).

O setor de telecomunicações no Brasil enfrenta forte escassez de profissionais qualificados, especialmente em IA, com 85% dos funcionários sem habilidades nessa área.

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