A tensão entre Irã e Israel, tradicionalmente marcada por ataques físicos com drones e aviões de combate, agora avança para o espaço cibernético com intensidade inédita. Segundo reportagem do The Guardian, o Irã impôs um blackout quase total na internet no início da semana passada, temendo uma ofensiva digital vinda de Israel.
A empresa de cibersegurança Cloudflare revelou que o tráfego de internet no país caiu cerca de 97% em comparação com o mesmo período da semana anterior, prejudicando o acesso da população à informação durante o conflito.
Ainda de acordo com o The Guardian, a medida foi uma resposta à ação de um grupo hacker anti-regime, possivelmente ligado a Israel, que afirmou ter invadido o banco estatal iraniano Bank Sepah.
Mas o episódio mais impactante ocorreu na última semana, quando o grupo hacker Gonjeshke Darande (“pardal predador”, em farsi) alegou ter roubado US$ 90 milhões em criptomoedas da exchange iraniana Nobitex.
A consultoria Elliptic, especializada em crimes com criptoativos, confirmou a movimentação do valor para carteiras de hackers e apontou que os recursos foram “queimados”, tornando-se irrecuperáveis ao serem enviados para endereços personalizados sem chaves criptográficas conhecidas.
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A ofensiva digital não parou por aí. Segundo a Bloomberg, autoridades israelenses alertaram que o Irã estaria invadindo câmeras de segurança residenciais conectadas à internet como estratégia de espionagem em tempo real. Especialistas afirmam que táticas semelhantes já foram empregadas por hackers ligados ao Hamas e à Rússia.
Embora a espionagem por câmeras seja alarmante, analistas apontam que ela não tem o mesmo impacto de um ataque direto à infraestrutura financeira, como o realizado contra o banco e a exchange iranianos.
No final da semana, o Irã pareceu aliviar parcialmente o bloqueio de internet para alguns cidadãos, segundo o New York Times, embora muitos continuassem enfrentando conexões instáveis e temporárias. A guerra digital entre os dois países reacende o alerta global sobre a fragilidade das infraestruturas cibernéticas em tempos de conflito e coloca em evidência o papel estratégico da tecnologia em disputas geopolíticas cada vez mais híbridas.
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