Empresas de grande porte possuem um desafio em comum: volume de dados e complexidade de processos. Esses fatores, quando não geridos de forma equilibrada pela governança de TI, podem causar o sufocamento da inovação, prejudicar a autonomia das equipes e dificuldades em escalar projetos. Isso porque, as lideranças utilizam modelos de gestão de serviços de TI, como ITIL e COBIT, como direcionadores, enquanto estes deveriam servir como restrições.
É natural que o crescimento de uma empresa gere processos mais complexos e diferentes variáveis que necessitam de acompanhamento. Para a governança, métricas são essenciais para tomadas de decisões rápidas e essas informações assertivas só são possíveis com o estabelecimento de padrões e processos.
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Por outro lado, é preciso que as lideranças encontrem um equilíbrio, já que a rigidez pode ocasionar gargalos e travamentos que impedem o ganho de produtividade e eficiência. Isso porque, por vezes, a burocracia existe por motivos próprios e não para a satisfação do cliente.
A solução para esse desafio começa com uma mudança de perspectiva: enxergar o papel da governança como facilitadores. Essa mentalidade traz uma outra visão aos processos, porque considera o desenvolvimento da maturidade organizacional. A mudança na cultura provoca esse amadurecimento nas equipes e consequentemente, traz mais autonomia, flexibilidade e a capacidade de inovar no dia a dia.
Existem alguns fatores que dificultam essa mudança cultural. Entre eles, é possível destacar a resistência das equipes a mudanças. É comum que os colaboradores tenham a tendência de manter o trabalho dentro da sua zona de conforto, por isso, é importante que a governança facilitadora promova e deixe claro que essas mudanças têm como objetivo otimizar as atividades de todos e colher feedbacks para tornar o processo participativo.
Outro desafio envolve a dificuldade da governança em dar autonomia às equipes. Em grandes empresas, manter processos de microgerenciamento são comuns, mas causam dificuldades na velocidade das entregas. Nesse sentido, é importante que uma governança facilitadora foque em acompanhar macroprocessos e desenvolvam a maturidade de seus colaboradores para que eles tenham mais autonomia e flexibilidade nas atividades diárias.
Mais um desafio comum entre as empresas é a forma como elas encaram os modelos de gestão de serviços de TI, como ITIL e COBIT. Isso porque, algumas lideranças entendem que esses modelos devem ser seguidos à risca e almejados como um direcionador ideal e rígido. Porém, ITIL e COBIT não conseguem abarcar as especificidades das empresas e, por isso, é importante utilizar esses métodos como regras restritivas, ou seja, como se fossem os guardrails de uma estrada: são limites, mas precisamos de liberdade para a nossa direção e eventualmente até mudar caminhos quando necessário.
Os guardrails existentes servem para não entrarmos em riscos desnecessariamente. Da mesma forma, as equipes devem conseguir adaptar o que for necessário de acordo com suas necessidades para alcançar maior produtividade e eficiência em direção à satisfação do cliente.
O aumento da maturidade organizacional está diretamente alinhado com o foco na satisfação do cliente. Uma empresa com uma cultura madura, com processos equilibrados, colaboradores participativos e lideranças facilitadoras consegue desenvolver seus produtos ou serviços totalmente focados nas necessidades dos clientes. Além disso, torna a organização preparada para os riscos e as transformações do mercado.
Esse caminho de avanço na maturidade, entretanto, não pode ser considerado algo linear, porque trata-se de algo vivo que precisa ser revisado e questionado periodicamente. Logo, é importante identificar oportunidades, melhores práticas e ter uma mentalidade disposta a experimentar.
Atualmente muito se fala em Inteligência Artificial e a jornada de evolução na governança também pode ser beneficiada por esta. A capacidade da IA Generativa de criar padrões e analisar grandes volumes de dados pode ter um papel importante na estruturação de processos de trabalho e na tomada de decisões estratégicas. Isso porque a IA é capaz de prever tendências, comportamentos e analisar o desempenho de sistemas e gerar insights para aumentar a eficiência operacional, análises para redução de custos e melhores práticas personalizadas para cada empresa.
Para isso, é preciso que as lideranças estejam dispostas a testar. Esse é o caminho para integrar a IA na governança das organizações. A partir desse primeiro passo, poderemos entender cada vez mais a potência dessa tecnologia e sua capacidade de transformação.
Portanto, uma governança de TI com mentalidade facilitadora deve priorizar a otimização da jornada das equipes, ao invés de incluir obstáculos e tentar definir as regras. Além disso, é importante utilizar modelos como ITIL e COBIT de forma inteligente e tratá-las como restrições necessárias para gerar espaço para as equipes terem autonomia e incentivo para inovar.
Esse caminho eleva a maturidade organizacional e prioriza as necessidades do cliente. Aliado a técnicas de melhoria contínua, é possível alcançar eficiência, produtividade e espaço no mercado nos próximos anos.
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