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Google não inovou, apenas fez cosmética, diz criador do Adsense

Desde que criou a caixa branca para busca de informações na web, o Google não inovou, apenas fez “cosmética”. A opinião foi dada pelo criador do Google AdSense (programa de gerenciamento de anúncios relevantes), Jeffrey M. Stibel, em entrevista exclusiva ao IT Web.

 

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Autor da obra Wired for Thought (Conectado pelas Ideias, a ser lançado em breve no Brasil pela DVS Editora), o cientista era um dos fundadores da empresa Simpli, focada no desenvolvimento de softwares de buscas semânticas. A Applied Semantics, empresa que vendeu a tecnologia do Adsense para o gigante de buscas em 2003 por US$102 milhões, baseava seu software na tecnologia da Simpli.

 
Stibel, atualmente, é presidente da Web.com, uma empresa de capital aberto que ajuda empreendedores a iniciar e desenvolver seus negócios na web. Ele também é presidente da BrainGate, companhia especializada em implantes no cérebro que capacita pessoas para o uso do pensamento para controlar dispositivos elétricos.

 
Reconhecido por publicações internacionais, como Forbes e BusinessWeek, por ser um CEO de sucesso com menos de 40 anos, Stibel disse, em conversa pelo telefone, que o verdadeiro feito do Google, que comemora 13 anos nesta terça-feira (27/09),  foi democratizar a internet, por meio da criação do sistema de buscas.

“Google é 99% busca, em termos de uso, utilização, receita e margem”, avaliou. Na visão dele, mesmo com diferentes iniciativas – apenas para citar alguns exemplos, Gmail, Google+, Adwords, Places, Maps, Android, Chrome, Earth, Picasa, Youtube, Street View, Docs, Apps e, recentemente, com a compra da Motorola Mobility – a companhia não conseguiu se firmar como dominantes em diferentes áreas.

 
Leia, na sequência, trechos da entrevista

IT Web – O Google é o principal buscador do mundo. Seu sistema operacional é o mais utilizado, segundo o Gartner, com mais de 40% do mercado global de smartphones. Além de suas inúmeras iniciativas, ele, recentemente, anunciou a compra da divisão de dispositivos móveis da Motorola, a Motorola Mobility. O Google vai dominar o mundo?

 
Jeffrey M. Stibel – O Google é 99% busca, em termos de uso, utilização, receita e margem. Pessoas pensam nele como buscador e é esta a imagem. Eles (Larry Page e Sergey Brin), recentemente, adquiriram centenas de diferentes companhias e lançaram centenas de produtos diferentes. Mas poucos deles tiveram um sucesso no mesmo nível que o buscador. O Google quer dominar o mundo? Quer. Ele vai? Não.

 
IT Web – Mesmo saindo em tantas frentes?

Stibel – O que eles fizeram foi, de muitas formas, democratizar a web. Eles fizeram uma caixa de pesquisa com um fundo branco e esta foi sua maior inovação. E isso é ótimo. Mas eles não inovaram desde então. Tudo o que eles fizeram foi cosmética.

IT Web – O Google sabe o que eu busco na web, sabe quem me manda e-mails, sabe aonde vou, porque meu sistema operacional é o Android. Não são muitas informações para apenas uma companhia?

 
Stibel – Sim, na verdade, sim. Este é o verdadeiro Big Brother (uma alusão ao livro 1984, escrito por George Orwell em 1949, que fala sobre uma sociedade fiscalizada pelo Grande Irmão) nos olhando. Mas não é apenas o Google. Há uma série de companhias nos vigiando e este é o novo mundo em que vivemos. E as pessoas deveriam ter muito cuidado ao falar sobre isso. É tanto uma grande oportunidade quanto uma grande preocupação. Se for usado pelo bem, é uma tremenda vantagem ter tantos dados. Mas se for usado para o mal [risadas], há coisas tremendas que você pode fazer que são extremamente destrutivas com tantos dados nas mãos.

 
IT Web – As pessoas devem então, deletar todos os e-mails, desligar o Android e buscar alternativas?

 
Stibel – Eu deixo isso para a opinião pessoal. Em minha opinião, não acredito que o mundo seja de todo bom, mas eu tenho que correr o risco, no caso de ele ser mau. Mas cada pessoa tem que determinar o nível de risco ao qual quer se expor.

 

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Editorial IT Forum 365
15 anos ago

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