Os governos do Brasil e da França assinaram no fim da semana passada quatro acordos de cooperação científica em iniciativas de biodiversidade e sustentabilidade na Amazônia. A assinatura dos termos ocorreu na sequência das reuniões do grupo de trabalho de Pesquisa e Inovação do G20, que aconteceram em Manaus (AM).
Quatro acordos foram assinados entre os dois países: dois com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e um com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), todas instituições vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
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Os projetos serão liderados pelo ministério do Ensino Superior e da Pesquisa e pelo Ministério da Europa e das Relações Exteriores, do lado francês, e pelo MCTI e Ministério da Educação pelo lado brasileiro. Cerca de € 6 milhões serão destinados aos temas prioritários identificados pela comissão formada pelas agências de financiamento, ANR para a França e CNPq para o Brasil, nos próximos três anos.
Os temas são: biodiversidade, meio ambiente, estudos climáticos, observação da Terra; matemática, inteligência artificial, engenharia, computação de alto desempenho; saúde; e ciências sociais, patrimônio cultural, lei e regulamentação, desigualdade e inclusão.
“Embora a gente conheça muito da biodiversidade amazônica, ainda resta muito para ser conhecido. Mas não apenas o conhecimento tradicional, precisamos também saber como tomar ações para proteger a biodiversidade existente, porque em vista das mudanças climáticas, uma das maiores consequências é como a fauna e a flora vão reagir e se adaptar”, diz em comunicado Osvaldo Moraes, diretor do departamento para o clima e sustentabilidade do MCTI.
Além das assinaturas, foi inaugurado o Centro Franco-Brasileiro de Biodiversidade Amazônica, cujo objetivo é promover pesquisa conjunta nos estados da Amazônia brasileira e francesa, incluindo pesquisadores e instituições dos dois países. Sem sede física, o centro já recebeu € 700 mil do governo francês para a construção de uma rede de excelência entre universidades, institutos de pesquisa e outras iniciativas de pesquisa dos dois países.
Um conselho binacional e um conselho científico são os órgãos de direção do centro, composto por igual número de franceses e brasileiros. Ele terá dois codiretores: o francês Gilles Kleitz, Diretor Científico do Instituto Francês de Pesquisa e Desenvolvimento; e o brasileiro Henrique Pereira, diretor do INPA.
“O Centro também tem o interesse em fomentar o desenvolvimento de processos, produtos e tecnologias para desenvolver a bioeconomia na região. Como é uma agenda bilateral, isso envolve a cooperação internacional”, diz Pereira.
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