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Com nova plataforma, Ford persegue redução de custos em veículos elétricos

A indústria automobilística tradicional, aquela dos veículos com motores a combustão, vive um desafio sem precedentes. A tendência da eletrificação parece ter vindo para ficar, e a competição com as montadoras chinesas tem feito marcas tradicionais investirem em soluções capazes de reduzir custos de fabricação, de modo a se manterem competitivas.

A estadunidense Ford, por exemplo, tem apostado suas fichas na chamada Plataforma Universal de Veículos Elétricos. A abordagem, lançada em 2025, unifica uma série de elementos de engenharia na produção dos EVs (veículos elétricos, na sigla em inglês) e já vem sendo aplicada em uma planta da empresa nos EUA.

Alan Clarke, diretor executivo de desenvolvimento avançado de veículos elétricos da Ford, explica em comunicado que o grande desafio atual é aumentar a autonomia das baterias, desafio semelhante ao enfrentado durante a crise do petróleo da década de 1970. Nesse período, as marcas se viram obrigadas a transformar os imensos e beberrões motores de então.

Da busca pela eficiência surgiram tecnologias como o turbocompressor, por exemplo. Hoje, segundo a própria Ford, quase 75% das picapes F-150 são equipadas com motores turbo. A montadora diz oferecer essa opção em quase todos os modelos a gasolina atuais.

“Hoje, a indústria enfrenta um desafio semelhante com os veículos elétricos. E a solução de engenharia para a ‘ansiedade de autonomia’ tem sido, geralmente, aumentar o tamanho da bateria. No entanto, a bateria é o componente mais crucial para a viabilidade financeira, pois representa cerca de 40% do custo do veículo e mais de 25% do seu peso total”, diz o executivo.

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Segundo ele, mais bateria significa um veículo mais pesado e mais caro. E a resposta passa por conseguir mais quilometragem em baterias menores, além de simplificar o sistema para reduzir o número de peças. Isso permitiria “entregar uma nova família de veículos elétricos acessíveis”.

Caminho das pedras

Para tornar os veículos com a nova plataforma mais acessíveis, começando com uma picape de médio porte, era preciso encontrar formas de reduzir custos, diz a Ford. Foi criada uma equipe específica para desenvolver métricas de autonomia, eficiência e desempenho, tendo como prioridades peso, arrasto aerodinâmico, resistência a rolamento e tamanho da bateria.

A equipe definiu metas para as equipes técnicas, um sistema de “recompensas” que também alterou a forma isolada das equipes de engenharia das montadoras tradicionais trabalharem. Ele mudou a negociação entre áreas, tornando o custo de cada item mais claro, diz a montadora, atrelado à autonomia e ao custo da bateria.

A equipe de aerodinâmica e a equipe de interiores, por exemplo, passaram a compartilhar o mesmo objetivo e desafios. “Quando atingíamos as metas, estabelecíamos outras mais difíceis”, conta Clarke. “Uma dessas áreas foi o sistema de gerenciamento de energia. O corpo do espelho retrovisor agora é mais de 20% menor que o convencional, o que reduz a massa, o custo e melhora a aerodinâmica, resultando em 2,4 km a mais de autonomia do veículo.”

Outro elemento importante para a Ford é o gerenciamento de energia. O meta era alterar a conversão de energia dentro da plataforma do veículo elétrico, elemento que pode representar grande desperdício. Além disso, segundo a Ford, frequentemente são usados fornecedores externos, cada um com invólucros, fixadores e conectores diferentes, o que gera elevação de custos e peso.

Para combater o problema, a Ford comprou em 2023 a Auto Motive Power (AMP), especialista em energia e eletrificação. Com isso, desenvolveu o próprio ecossistema de carregamento de veículos elétricos, com software próprio. A promessa é que o equipamento, com capacidade de carregamento bidirecional, permita menor tempo de carregamento, maior vida útil da bateria e redução do custo total de propriedade.

“Estamos criando uma plataforma de veículo elétrico verdadeiramente integrada, não uma única peça que possa ser facilmente copiada. Se tudo der certo, teremos uma família de veículos que vai competir em preço com os melhores do mundo, incluindo veículos a gasolina”, diz Clarke, admitindo que ainda há “muito a fazer”, mas prometendo “mais novidades em breve”.

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