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IA, filosofias do Vale do Silício e brasilidades provocam executivos durante Filosofia da Tecnologia

Imersos na Mata Atlântica e rodeados por diferentes pensadores, na última semana, diversos executivos de tecnologia foram convidados a refletir sobre suas práticas e o futuro do setor. A inteligência artificial (IA) no cotidiano, o espaço dos algoritmos, a valorização das tecnologias brasileiras e a ética que rege os negócios foram apenas algumas das provocações trazidas durante o evento Filosofia da Tecnologia, realizado pelo Instituto Itaqui nos dias 16, 17 e 18 de outubro.

Para trazer todo esse conhecimento à tona, além da palestra de abertura ministrada pelo professor, palestrante e filósofo Mario Sérgio Cortella, o programa contou com uma diversidade de pensadores das mais variadas áreas.

A começar pelo biólogo e diretor-executivo do Centro de Pesquisas Itaqui, professor Sandro Paulino de Faria, que, na manhã de sexta-feira (17), falou sobre os efeitos da inteligência artificial no cérebro humano. Segundo Faria, não é apenas a IA que tem provocado mudanças em nosso intelecto.

Ao longo da evolução humana, todas as tecnologias já utilizadas trouxeram transformações na forma e no tamanho do cérebro. No entanto, esta é a primeira vez que uma ferramenta causa o desligamento de algumas funções em um período tão curto de tempo. “Nós evoluímos a partir da economia de energia, então, conforme o cérebro vai se acostumando a delegar funções à IA, ele vai desligando algumas funcionalidades”, explicou o pesquisador.

Diante disso, habilidades importantes, como a memória e a correlação entre conhecimentos, têm se mostrado prejudicadas. A realidade, apesar de preocupante, não é um alerta para deixar de utilizar a inteligência artificial, ressaltou Faria, mas sim um convite para que ela seja usada da melhor forma possível. Como exemplo, o diretor-executivo citou o auxílio da IA no monitoramento de espécies da Mata Atlântica.

Conexões brasileiras

O recado de Sandro foi reforçado logo em seguida por Ricardo Carvalho. Em sua palestra “A Filosofia da TecnoBrasilidade”, o professor, pesquisador e consultor em gestão, cultura organizacional e liderança abordou a importância de voltarmos a valorizar a cultura brasileira e a capacidade de interpretar os símbolos do mundo.

Resgatando a história do país durante sua fala, o professor destacou a naturalidade do povo brasileiro para lidar com conceitos como ambidestria, diversidade e criatividade. Segundo Carvalho, em tempos de IA, o Brasil possui o que é necessário para estar à frente das transformações — desde que aprenda a valorizar sua própria cultura.

Leia mais: “Se a tecnologia for privilegiadora em vez de partilhadora, o futuro vai dar certo, mas qual o legado?”, provoca Cortella

O ChatGPT disse:

Para isso, é necessário reconstruir a arte enquanto técnica e valorizar mais o uso da criatividade do brasileiro dentro das empresas. “Estamos vendo um monte de gente falando de soft skills agora, e é isso – essa criatividade ganhando destaque sobre as competências técnicas.”

Um novo mundo

Ainda na sexta-feira, os executivos foram convidados pelo futurista e CEO da Saber Ampliado, Pedro Cortella, a adentrar o espaço dos algoritmos e refletir sobre o impacto das redes sociais no cotidiano. Ao fazer uma retrospectiva dos últimos anos da humanidade, o pesquisador analisou a aceleração e as transformações trazidas pela chegada dos algoritmos.

De acordo com Cortella, apesar de todas as vantagens, a polarização, as bolhas sociais e a perda de foco são grandes desafios que surgiram junto às redes. Enquanto empreendedor na área da educação, o executivo lembrou que é a diversidade que impulsiona o crescimento. “Precisamos lembrar que as redes criam bolhas, mas a diversidade é essencial para o nosso desenvolvimento. Estar atento a isso é se adaptar para ampliar o nosso aprendizado.”

Em sua fala, o pesquisador destacou ainda que todos aqueles que acreditam ter alguma autonomia sobre essas operações estão se iludindo e que, em vez de tentar controlar os resultados das redes, é preciso “aprender a desaprender” e se adaptar ao futuro.

Do Vale do Silício à Muralha da China

No entanto, diante de um mundo cada vez mais polarizado e complexo, para chegar bem preparado ao futuro é preciso compreender o passado. Essa foi a proposta da filósofa e head de Experiência e Growth da Rocktebase Venture, Anna Flávia Ribeiro. Em seu painel “As Filosofias do Vale do Silício”, ela voltou no tempo, traçando um mapa histórico do conhecimento e conduzindo a plateia a reflexões sobre a formação dos polos de tecnologia e poder, além das éticas que os sustentam.

De forma prática, a executiva apresentou uma análise crítica do Vale do Silício e de seus modelos de inovação baseados no estoicismo, abordando também o reflexo dessas práticas nas empresas. Ao comparar modelos ocidentais e orientais — especialmente os chineses —, Anna ressaltou a importância de não enaltecer um sistema em detrimento do outro. “Nós chegamos nessa bagunça porque colocamos o modelo americano em um pedestal. Não podemos cometer o mesmo erro com os chineses”, enfatizou.

Apenas o começo

O evento contou ainda com debates conduzidos pela neurocientista e CEO da Ilumne Consultoria, Carla Tieppo; pela CEO da Colmeia Educação e Negócios e mentora especializada em liderança consciente, Noéle Gomes; pela sócia do IEPY e professora de Yamas, Niyamas e Mantras, Carol Rojo; além de Alexandre Fialho, empresário, consultor, professor e fundador da Despertare Academy.

Ao todo, foram mais de dez conteúdos e imersões apresentados, todos com o objetivo de inspirar e promover reflexões sobre o futuro da tecnologia no Brasil e no mundo. Mas esta foi apenas a primeira turma. O próximo Filosofia da Tecnologia já tem data marcada e acontecerá entre os dias 21 e 23 de maio de 2026. Para saber mais, acesse o site.

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