Recentemente, um post polêmico de um executivo nas redes sociais reacendeu debates sobre a presença feminina em cargos de liderança ao afirmar que ser CEO não seria o “melhor uso da energia feminina”.
Essa declaração gerou reações intensas, especialmente entre mulheres que, como Rafaela Rezende, general manager da VTEX Brasil, defendem uma visão ampla e inclusiva sobre o papel da mulher no mercado de trabalho.
Com mais de 20 anos de experiência em e-commerce, Rafaela construiu sua carreira em grandes redes varejistas antes de fazer a transição para o setor de tecnologia. “Entrei no segmento de e-commerce como estagiária e me apaixonei. Cresci junto com o e-commerce no Brasil”, relata.
Entretanto, após anos de sucesso no varejo, a executiva tomou a decisão de migrar para a tecnologia durante sua licença-maternidade. “Eu estava na minha zona de conforto e percebi que precisava de um novo desafio”, compartilha. A experiência da maternidade proporcionou a ela uma nova perspectiva: o desejo de se reinventar e buscar um caminho que refletisse suas aspirações profissionais e pessoais.
“Entendi que continuar no varejo seria mais do mesmo; eu queria sair da zona de conforto”, explica. Essa transição não foi fácil, pois exigiu que ela se adaptasse a um ambiente tecnológico que valoriza a inovação e a capacidade de arriscar. “No varejo, a execução era a chave do sucesso. Na tecnologia, você precisa se permitir errar para construir algo extraordinário”, acrescenta. A executiva ressalta que aprender a se permitir errar é essencial em um setor em constante transformação, uma lição que também trouxe da maternidade.
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Por isso, para Rafaela, a maternidade não é uma limitação, mas uma expansão de sua identidade. “Eu sou feita de várias mulheres dentro de mim”, diz, sublinhando que o papel de mãe não a define exclusivamente. Ao perceber que seu trabalho poderia coexistir com a maternidade, ela reforçou sua convicção de que a felicidade pessoal é fundamental para o sucesso profissional.
Mas a executiva também considera positivo que essas falas venham à tona de maneira escancarada, uma vez que muitas vezes deixamos passar preconceitos velados. “É bom que discussões assim surjam, porque só assim podemos confrontar e desmantelar visões antiquadas”, afirma.
Contrariando a fala polêmica, a pluralidade da experiência feminina é uma lição que Rafaela deseja passar à sua filha. “Quero que ela entenda que pode ser muitas coisas ao mesmo tempo: mãe, profissional, amiga. Não precisamos escolher uma única identidade.”
Em um mundo corporativo que frequentemente reforça binariedades, sua trajetória ilustra que as mulheres podem e devem ocupar todos os espaços que desejam, desafiando convenções e ampliando as possibilidades de sucesso.
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